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Os cidadãos de Harappa desenvolveram um privilégio bastante raro no mundo antigo: água encanada. Cada casa dispunha de um banheiro com chão pavimentado em declive e de um sistema de escoamento de água. A água para o banho era puxada, com baldes, de poços revestidos de tijolos de barro cozido, e despejadas em pequenos reservatórios e daí encaminhadas por curtos encanamentos cerâmicos para cair sobre o banhista. As pessoas também se lavavam com o auxílio de jarras e usavam assentos de alvenaria de tijolos sobre estreitos canais que desembocavam em escoadouros de águas usadas. Embora banheiros e tubulações de esgotos sejam construções comumente encontradas nas escavações, não existiam banheiras. As escavações também mostram que as ruas eram largas, pavimentadas e drenadas por esgotos cobertos. Esses canais de escoamento ficavam cerca de meio metro abaixo do nível do pavimento e, geralmente, eram construídos em alvenaria de tijolos com uma argamassa de barro. Usavam-se materiais de qualidade superior no interior das casas e empregavam-se canos de drenagem feitos de cerâmica, embutidos e rejuntados com gesso, para que não ocorressem vazamentos. Os dejetos das casas eram conduzidos para um engenhoso sistema municipal de esgotos. Uma fossa coberta do lado de fora de cada habitação, comunicava-se com um a rede de canais de esgoto, revestidos e cobertos com tijolos, que corria ao longo das ruas principais. Em cada interseção, havia uma fossa com tampa removível, para permitir a limpeza. Acredita-se que uma equipe permanente de trabalhadores se encarregava da manutenção do sistema e de fazer a coleta do lixo. Oportunamente deve-se citar aqui que o lixo escoava das calhas das casas para dentro de depósitos instalados nas ruas. No período pré-helênico, em Tróia, onde existiam sistemas de abastecimento de água, regulamentava-se também o destino dos dejetos e existia um sistema de esgotamento. Em palácios, como o de Cnossos, em Creta, do segundo milênio pré-cristão, havia não apenas magníficas instalações para o banho, como também descargas para os lavatórios. Havia torneiras em casas particulares, como comprovado nas ruínas do Priene, na Ásia Menor, e era usual, em muitos lugares, retirar água de poços públicos (Rosen, 1994, p. 32). Na América do Sul, impressionantes ruínas de sistemas de esgotos e de banhos atestam as façanhas dos quéchuas em engenharia sanitária. Esse povo que habitou regiões do atual Peru e Equador, ergueu cidades drenadas e com suprimento de água, garantindo assim, um terreno seguro para a saúde da comunidade. Estavam cônscios, ainda, da influência possível de outros elementos do ambiente físico sobre a saúde e reconheceram a conecção entre aclimatação e má saúde, a ponto de que tropas oriundas dos planaltos serviam nos vales quentes em um sistema de rodízio, permanecendo ali apenas alguns meses de cada vez (Rosen, 1994 p. 32). Estudos
biográficos sobre o filósofo Empédocles de Agrigento
(504-443 a. C.) indica que mesmo antes do apogeu helênico, os gregos
já haviam estabelecido uma associação entre pântanos
e malária. Segundo o historiador Diógenes Laércio
(350-400 a. C.), Empédocles livrou de uma epidemia o povo de Selinute,
na Sicília, desviando dois rios para os pântanos, com o intuito
de prevenir a estagnação das águas e salubrificá-las.
Em Ares, Águas e Lugares, consideravam-se nocivas planícies
encharcadas e regiões pantanosas e recomendava a construção
de residências em áreas elevadas, aquecidas pelo sol, para
que entrassem em contato somente com ventos saudáveis (Rosen, 1994
p. 36/7).
Atribui-se a construção do grande esgoto de Roma, a cloaca máxima, ao quinto rei romano, de origem etrusca, Tarquínio Prisco (580-514 a. C.), porém essa obra se origina, provavelmente, dos primeiros tempos republicanos e é a maior das obras de drenagem romana ainda funcionando. É um canal da água de drenagem que funcionava desde o Fórum Romano, drenando o solo encharcado aos pés da colina do Capitólio, e depois de serpentear através da Via del Velabro, do Fórum de Boario, e de uma curva larga, o canal esvazia no Tibre, em Ponte Emilio. As paredes da primeira seção são construídas dos blocos de pedra e em vários pontos ao longo do trajeto, deságuam drenos subterrâneos menores e tampados. A canaleta funcionou originalmente a céu aberto, mas no século III a. C. foi coberta. A seção do canal, inicialmente de 2,12m de largura por 2,7m de altura, ia aumentando progressivamente ao longo do percurso, alcançando em sua extremidade de jusante 4,50m largura por 3,30m de altura. A cloaca máxima ainda é parte do sistema de drenagem da atual Roma, sendo que o trecho final foi retificado de modo a desaguar perpendicularmente à margem murada do rio. Para os romanos o sistema de esgotos, no qual se incluía a cloaca máxima, era tão valioso quanto o suprimento de água (Rosen, 1994, p. 43). No desenho ilustrativo (Figura HD2), elaborado pelo autor, pode se observar o detalhe de um arco de sustentação do teto e os degraus inferiores para inspeção, nessa magnífica obra de engenharia dos tempos antigos. O arquiteto, engenheiro, agrimensor e pesquisador romano, Marco Vitrúvio Pólio (c. 70-25 a. C.), em seu livro De Architectura, acentuou a importância de se determinar a salubridade de um sítio e oferece indicações precisas para a seleção de lugares apropriados à fundação de cidades e à construção de prédios. Vitrúvio Pólio, também, deu muita atenção à posição, à orientação e ao sistema de drenagem das moradias (Rosen, 1994, p. 44).
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