CAPÍTULO VIII

POÇOS DE VISITAS (01/07)

 
8.1. Definição

Poço de visita é uma câmara visitável através de uma abertura existente na sua parte superior, ao nível do terreno, destinado a permitir a reunião de dois ou mais trechos consecutivos e a execução dos traba-lhos de manutenção nos trechos a ele ligados (Figura 8.1).

FIG. 8. 1  -  Modelo convencional de PV


8.2. Disposição Construtiva

Um poço de visita convencional possui dois compartimentos distintos que são a chaminé e o balão, construídos de tal forma a permitir fácil entrada e saída do operador e espaço suficiente para este operador executar as manobras necessárias ao desempenho das funções para as quais a câmara foi projetada.

O balão ou câmara de trabalho é o compartimento principal da estrutura, de seção circular, qua-drada ou retangular, onde se realizam todas as manobras internas, manuais ou mecânicas, por ocasião dos serviços de manutenção nos trechos conectados. Em seu piso encontram-se moldadas as calhas de concor-dância entre as seções de entrada dos trechos a montante e da saída para jusante. Estas calhas são dispostas de modo a guiar as correntes líquidas, desde as entradas no poço, até o início do trecho de jusante do coletor principal que atravessa o poço. Desta maneira, assegura-se um mínimo de turbilhonamento e retenção do material em suspensão, devendo suas arestas superiores serem niveladas, no mínimo, com a geratriz superi-or do trecho de saída.

A chaminé, pescoço ou tubo de descida, consiste em um conduto de ligação entre o balão e a superfície, ou seja, o exterior. Convencionalmente é iniciada num furo excêntrico feito na laje de cobertura do balão e indo até a superfície do terreno, onde é fechada por um tampão de ferro fundido (Fig.8.2). A partir da chaminé, o movimento de entrada e saída dos operadores é possibilitado através de uma escada de ligas metálicas inoxidáveis, tipo marinheiro, afixada de degrau em degrau na parede do poço ou, opcionalmente, através de escadas móveis para poços de pequenas profundidades. 
 


FIG. 8. 2  -  Modelo de tampão de fºfº para poço de visita


No caso de um ou mais trechos de coletores chegarem ao PV acima do nível do fundo são necessá-rios cuidados especiais nesta ligação, a fim de que haja operacionalidade do poço sem constrangimento do operário encarregado de trabalhar no interior do balão. Para desníveis abaixo de 0,50m não são obrigatórias instalações de dispositivos de proteção, considerando-se a quantidade mínima de respingos e a inexistência de erosão provocados pela queda do líquido sobre a calha coletora. Para desníveis a partir de 0,50m faz-se necessária a instalação dos chamados tubos de queda, os quais consistem numa derivação do trecho de mon-tante por um “Tê” ou um conjunto formado por “uma junção 45° invertida associada a um joelho 45°”, ao qual será conectado um “toco de tubo” vertical, com comprimento adequado e apoiado em uma curva 90°, que direcionará o fluxo para o interior do PV. Em quaisquer dos dois casos, o bocal livre da junção repousa-rá ligado a face interior da parede do PV, para facilitar o trabalho de eventuais desobstruções no trecho correspondente (Fig.8.3). Para diâmetros de trechos afluentes superiores a 375mm é preferível o emprego de poços de queda como esquematizado na Fig.8.4.

FIG. 8. 3  -  Poço de visita com tubo de queda