Líder palestino nascido no Cairo, que dedicou sua vida à
luta pela criação de um estado palestino em territórios
ocupados por Israel, porém, morreu sem ver seu sonho realizado.
Filho de um abastado comerciante, Abdel Raouf, formou-se em engenharia
civil na Universidade do Cairo. Integrou o exército da República
Árabe Unida e participou do conflito de Suez (1956). Depois fundou
no Kuwait o al-Fatah, grupo de resistência que passou a atuar
como braço terrorista da Organização para a Libertação
da Palestina, a OLP. Assumiu o comando da OLP (1968), dois anos
antes de eclodir o conflito entre guerrilheiros palestinos e o exército
do rei Hussein, da Jordânia, que acolhera a organização
em seu território. O grupo foi expulso para o sul do Líbano
e nos anos seguintes procurou diminuir a atividade terrorista da OLP e
buscou apoio internacional para a causa palestina. Foi o primeiro representante
de uma organização não-governamental a discursar no
plenário da Assembléia Geral das Nações Unidas
(1974). Depois de anos de luta política, o Conselho Nacional da
OLP proclamou (1988) um estado palestino na Cisjordânia e na faixa
de Gaza e o elegeu presidente (1989). Assinou na Casa Branca, em Washington
(1993), juntamente com o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin,
um acordo que daria autonomia gradual aos palestinos da Cisjordânia
e da faixa de Gaza, o famoso acordo de Camping David, patrocinado
pela então presidente norte-americano Jimmy Carter. Por seus
esforços pela obtenção de uma pátria palestina
sem luta armada, recebeu o Prêmio Nobel da Paz (1994), dividido com
os israelenses Shimon Peres (1923 - ) e
Yitzhak Rabin (1922-1995),
por concluírem os Acordos de Paz de Oslo. Porém o radicalismo
religioso e a intolerância judia colocaram em cheque seu posto e
todos os sonhos de convivência pacifica entre estes povos, sonhada
por estes quatro homens de extremo bom senso humanitário. A volta
da violência fez com que Israel, com o apoio dos Estados Unidos,
mantivesse o líder palestino confinado em um complexo bastante deteriorado,
a Mukata, sede do governo palestino, durante quase três anos. Com
a saúde agravada foi-lhe permitido ser levado para tratamento na
França, onde chegou entre a vida e a morte. Morreu aos 75 anos,
no dia 11 de novembro, com falência múltipla dos órgãos,
após 13 dias internado no hospital militar Percy, em Clamart, a
sudoeste de Paris. O comércio fechou as portas enquanto a Autoridade
Palestina declarava 40 dias de luto na Cisjordânia e na Faixa de
Gaza. Proibido pelo governo israelense de que fosse enterrado em Jerusalém,
como desejava o líder palestino, foi sepultado em Ramallah, principal
cidade da Cisjordânia. Quando morreu estava separado de Suha Tawil,
então com 42 anos, desde o nascimento da filha do casal, Zahwa,
9 anos antes, sendo que ela e a filha vivem na França. A morte do
mais importante líder palestino e símbolo da luta contra
a ocupação israelense, marca o fim de uma era de resistência
e enfrentamentos com os israelenses para a criação de um
Estado palestino no Oriente Médio.
Foto
copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
http://www.nobel.se/