William Smith
(1769 - 1839)
Engenheiro e geólogo inglês nascido em Churchill, Oxfordshire, contemporâneo de Cuvier, importante professor de zoologia em Paris e cognominado pai da geologia moderna inglesa. Construtor de canais em Londres, ficou conhecido pelo desenvolvimento da estratigrafia como ciência e um entusiasta da geognosta, contribuiu notadamente para o estabelecimento do valor dos animais fossilizados no reconhecimento das camadas geológicas. O geólogo percebeu (1793) que as rochas eram dispostas em camadas e que os fósseis encontrados em cada uma delas eram bem diferentes uns dos outros. Decidiu relatar sua descoberta através de um mapa que exibiria o então desconhecido subterrâneo do país. Depois de vinte anos de um esforço solitário e exaustivo de aventura científica percorrendo a ilha britânica, estudando rochas e fósseis, desenhou a primeira carta geológica da Inglaterra, um grande mapa geológico da Inglaterra e Gales (1815), utilizando as modernas técnicas de apresentação, principalmente no uso das cores, pintado a mão, com cerca de 2,5 metros de altura por 2 de largura, ainda hoje empregado e um marco do nascimento da geologia moderna. A dramática história da criação dessa primeira carta geológica lhe trouxe humilhações e posterior reconhecimento como o pai da geologia moderna. Quatro anos após a publicação do famoso mapa (1815), foi preso pelo acúmulo de dívidas e teve seu trabalho copiado por aristocratas da recém-formada Sociedade Geológica de Londres, que o havia rejeitado. Um outro mapa, com proporções semelhantes, foi produzido a partir de cópias do seu mapa, sem que nenhuma menção a ele fosse feita. Depois de cumprir a pena, vagou sem emprego fixo pelo norte da Inglaterra durante dez anos, enquanto enfrentava a doença mental de sua esposa. Só obteve o devido reconhecimento (1831) com dezesseis anos de atraso, depois de uma trajetória de fracasso e sofrimento a que foi submetido à honra finalmente recuperada. Um aristocrata para quem trabalhara o colocou em contato com a Sociedade Geológica de Londres, que começou a reparar seu erro histórico e ele, então, foi honrado com medalhas e passou a receber uma pensão, oferecida pelo rei Guilherme IV. Morreu em Northampton, Northamptonshire, e em reconhecimento aos seus trabalhos recebeu a mais alta honraria da Sociedade geológica de Londres, porém o reconhecimento total só veio postumamente, quando a Sociedade passou a publicar seu nome na legenda dos mapas (1865), que ao todo conta com 32 ilustrações, um glossário de termos geológicos e outros pouco conhecidos e uma lista de fontes e leitura recomendada, além da capa, a qual se desdobra numa reprodução adaptada do mapa original, com 64 x 45 cm.