Estadista brasileiro nascido em São João del Rei, Minas Gerais,
que como representante típico da tradição moderadora
da política mineira, caracterizou-se pela tendência à
conciliação e à negociação, sem prejuízo
da consistência de suas posições liberais. Filho de
Francisco de Paula Neves e de Antonina de Almeida Neves, formou-se
em direito em Belo Horizonte (1932) e tornou-se advogado e promotor de
justiça em sua cidade natal, onde iniciou sua vida política.
Elegeu-se vereador (1935) e tornou-se presidente da Câmara Municipal.
Com a extinção do PP filiou-se (1937) ao Partido Nacionalista
Mineiro, o PNM. No mesmo ano, com a implantação do
Estado Novo pelo presidente Getulio Vargas e o conseqüente
fechamento dos órgãos legislativos do país, perdeu
o seu mandato. Depois da queda de Getúlio Vargas, foi eleito
para o mandato de deputado estadual (1947-1950) pelo Partido Social
Democrático, o PSD, seguindo como deputado federal (1951-1955),
período em que sua carreira política ganhou evidência
como ministro da Justiça (1953-1954) do governo do presidente Getúlio
Vargas. Em um período conturbado da vida nacional, que culminou
no suicídio de Vargas, o político mineiro mostrou firme determinação
na defesa da legalidade. Foi um dos articuladores da candidatura de Juscelino
Kubitschek à presidência e seu influente conselheiro em
assuntos políticos e econômicos, embora sem mandato parlamentar.
Foi secretário de Fazenda de Minas Gerais (1958-1960) e, durante
uma nova situação de crise nacional, após a renúncia
(1961) de Jânio Quadros, encaminhou a solução
que permitiu a João Goulart assumir a presidência da
república, mediante a adoção do regime parlamentarista.
Primeiro-ministro (1961-1962) no governo João Goulart, deixou
o cargo quando o regime voltou a ser presidencialista, após plebiscito
nacional, e foi eleito deputado federal em mais quatro legislaturas (1963-1978).
Não conseguiu impedir a queda de Goulart e com a reforma partidária
(1965), integrou-se no Movimento Democrático Brasileiro, o MDB.
Com a extinção do bipartidarismo, fundou (1979) o Partido
Popular e foi eleito senador (1979-1982). Com a proibição
das coligações partidárias, passou para o Partido
do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do qual foi vice-presidente
e eleito governador de Minas Gerais (1983-1984). Nome de consenso das correntes
de oposição ao regime, foi eleito presidente da república
(1985) pelo colégio eleitoral, vencendo Paulo Maluf, o candidato
do Partido Democrático Social, o PDS, do último presidente
militar. João Figueiredo. Infelizmente, no dia 14 de março
(1985), véspera de sua posse, após uma cirurgia de urgência,
em Brasília, para extirpação de um tumor benigno no
abdome, seu quadro clínico complicou-se e, transferido para o Instituto
do Coração, em São Paulo, após uma longa agonia
que emocionou o país, morreu em 21 de abril na capital paulista,
deixando o mandato para seu vice, José Sarney.
Figura copiada do site da ENCYCLOPAEDIA
BRITANNICA:
http://www.sampa.art.br/SAOPAULO/biog%20Tancredo.htm