Lista de Papas da Igreja Católica Romana
(textos compilados por Carlos Fernandes)

 
O ESTADO DO VATICANO

O Estado do Vaticano é o menor país independente do mundo e a última monarquia absolutista da Europa. Um minúsculo território independente de 44 hectares em Roma, sob jurisdição pontifícia, que tem sua existência calcada espiritualmente na criação do cristianismo e politicamente nos extintos Estados Pontifícios.
Os Estados Pontifícios ou Estados Papais foram fundados (752) pelo papa Estêvão III, e codificado quase trinta anos depois (781). Ocupavam uma grande área, basicamente no centro da península itálica e tinha um governo teocrático com capital Roma, com língua oficial latim e religião católica, sob a autoridade civil dos Papas.
Também chamado de Estados da Igreja, eram formados por um aglomerado de territórios, que se mantiveram como um estado independente por mais de onze séculos (756-1870).
O Vaticano é o resultado de uma longa história de mais de dois milênios, desde os tempos em que o papa era apenas o bispo de Roma, uma entre muitas lideranças vinculadas às origens do cristianismo, quando Roma virou centro da seita judaica originada no Oriente Médio.
Com a instituição a sede episcopal de Roma, os fiéis poderosos, especialmente os imperadores cristãos, foram fazendo doações de bens territoriais à Igreja romana, abrangendo áreas até mesmo fora da península italiana. Criou-se, então, o que se conheceu como Patrimônio de São Pedro, administrado pelos papas católicos que ganharam autênticas prerrogativas de chefes de estado através da Pragmática Sanção (554) promulgada pelo imperador Justiniano I, inclusive a de possuir um respeitável exército, que em algumas ações esteve sob o comando do próprio pontífice.
Com o declínio da influência do Império Bizantino sobre Roma, o distanciamento em relação ao império do Oriente tornou-se cada vez mais profundo, a ponto do papa Constantino I, enfrentar o imperador Filípico Bardanes, chamando-o de herege. Durante a ofensiva do lombardo Astolfo contra Roma, o papa Estêvão II pediu socorro ao rei dos francos, Pepino, o Breve. Depois da derrota de Astolfo, o pontífice recebeu o domínio temporal de um Estado que compreendia o antigo exarcado de Ravenna, os bispados de Rimini, Pesaro, Fano, Senigallia e Ancona e a região de Roma.
O papa Estêvão II exibiu um documento de três anos antes, de autenticidade duvidosa e que chamaria de Doação de Constantino, segundo o qual o imperador bizantino havia cedido ao papa Silvestre I, para si e seus sucessores, não só o palácio de São João de Latrão, mas também a possessão de toda a península Itálica e a dignidade imperial.
Assim surgia um Estado que haveria de perdurar durante mais de onze séculos (756-1870). Pêlos seus corredores passariam reis, criaram-se e decidiram-se guerras, o melhor da arte e até alguns santos, escrevendo uma página da história humana correspondente a mais de onze séculos. Em seu auge, pontífices se consideravam os senhores do mundo, desencadeavam disputas e tomavam decisões de todas as naturezas, em nome de Deus.
A autonomia começou a cair quando uma primeira parte do território foi anexada pelo Reino da Itália (1860) e terminou com a anexação do restante (1870) pelos nacionalistas peninsulares.
A Itália meridional nunca formou parte dos Estados Pontifícios e com o surgimento dos movimentos revolucionários nacionalistas italianos do século XIX, originaram-se fortes correntes políticas pela unidade nacional. Em meados do século as rebeliões contra a autoridade papal eram freqüentes. Finalmente, algumas cidades da Romanha resolveram anexar-se ao reino de Sardenha (1860) do rei Victor Manuel II, que entrou em guerra contra o pontífice Pio IX pelo controle das regiões da Umbria e das Marcas. Com as derrotas militares em Castelfidardo e em Ancona (1860), o estado papal perdeu aquelas regiões que, em união com a Toscânia, Parma e Módena e o reino de Sardenha, passaram a se chamar de Reino de Itália.
Com a deflagração da guerra franco-prussiana, os Estados Pontifícios apoiaram os francos, enquanto o Reino da Itália apoiou os Austríacos. O exército de oito mil soldados do papa Pio IX não foi páreo para as divisões reais, que entravam em Roma (1870) e declararam a cidade capital do Reino de Itália. Estabelecida a corte do rei Victor Emanuel II no Palácio do Quirinal, decretou-se o fim dos Estados Papais com a anexação do restante dos territórios pontifícios.
Somente 59 anos depois, em 11 de fevereiro (1929), quando as portas do Palácio de Latrão, quartel-general da Cúria Romana, se abriram para a entrada do homem mais temido da Itália, o ditador Benito Mussolini, chefe do regime fascista que governava o país, é que o desejo da volta de um estado católico politicamente independente voltou a ser real.
Mussolini queria que a Igreja reconhecesse oficialmente o regime e a Igreja queria recuperar o que havia perdido, durante o processo da unificação italiana, ou seja, o direito a um Estado soberano. Naquele mesmo dia, Mussolini assinou o Tratado  de Latrão, que concedia ao papa Pio XI um território independente dentro de Roma e, em troca, a Igreja reconhecia o tirano como legítimo titular do governo da Itália como estado soberano.
Nascia assim, o Estado do Vaticano como ele é hoje: o menor país independente do mundo, com um território de 44 hectares, em Roma, mas sob jurisdição pontifícia.

Mapa do Vaticano com destaque para a localização da Basílica e a Praça de São Pedro, local de contato do Papa com a multidão de fiéis que visitam a Santa Sé diariamente. 


Vista frontal da Basílica
e a Praça de São Pedro


 
 
 
PAPAS CATÓLICOS

O catolicismo é o maior ramo do cristianismo e o mais antigo como igreja organizada. Nenhuma história conta mais sobre os últimos 2 000 anos da presença humana no planeta do que a  Igreja Católica. O termo católico deriva do grego katholikos, que quer dizer universal, exprimindo, pois, a idéia de uma igreja que pode levar a salvação a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. A sua doutrina baseia-se na canonização dos cristãos que de tornaram mártires na defesa da fé ou realizado atos milagrosos, reconhecendo-os como santos. Seus fiéis veneram estes santos como intermediários entre os homens e Deus. A dogmática Maria, mãe de Jesus Cristo, a Imaculada Conceição, teria nascido sem pecado e concebido seu filho virgem. Cconsiderada a principal intermediária entre os católicos e seu filho divino, teria ascendido aos céus em corpo e alma. A veneração aos santos e os dogmas marianos são dois dos principais pontos que distinguem os católicos romanos dos demais cristãos, especialmente os protestantes ou autoditos evangélicos.

A Igreja Católica Romana tem uma rígida hierarquia, centrada na autoridade do papa, que é eleito por um colegiado superior de prelados. O chefe supremo da Igreja Católica, considerado infalível desde 1870, também é chamado de Pontífice Romano ou Sumo Pontífice. Sua veste habitual é a sataina branca. Entre os ornamentos que lhe são reservados, merecem destaque a tiara e o anel de São Pedro. É também soberano do Estado do Vaticano, tem um corpo diplomático e tem como seu principal colaborador o secretário de Estado.

A sede da Igreja Católica Romana fica no Vaticano, um pequeno Estado independente no centro de Roma, Itália. O Estado da Cidade do Vaticano, com seus 0,44 quilômetros quadrados de superfície, o menor e o menos populoso país do mundo e que se encontra dentro da cidade de Roma, Itália, separado com cerca de 4 quilômetros de fronteira, foi fundado com o Pacto de Latrão, firmado entre a Igreja e o governo italiano, através de Benito Mussolini, em 11 de fevereiro (1929), durante o pontificado de Pio XI, encerrando uma luta de seis décadas depois do desmoronamento dos Estados Pontifícios.

O Pacto de Latrão foi assinado pelo Cardeal Gasparri, então o Cardeal Secretário de Estado da Santa Sé. Por esse tratado, o governo italiano reconhecia o Vaticano como Estado soberano. Por seu lado, a Santa Sé cedia à Itália todas as terras dos antigos Estados Pontifícios, que o Papa havia governado desde o século V até 1870, quando o Piemonte tomou à força os territórios pontifícios. Entre 1870 e 1929, os Papas se consideravam prisioneiros no Vaticano, com relações cortadas com o Estado italiano, que conquistara Roma pela força.

O título de papa não existia antes de 306 e até 325, com o Concílio de Nicéia, exercia apenas a função de um metropolita, como bispo de Roma. Anteriormente o nome Papa era dado a todos os bispos da Igreja Católica. Aos poucos, foi reservado ao bispo de Roma, também patriarca do Ocidente e primaz da Itália. Em 609 foi instituído o papado, com poder central, mantendo sob suas rédeas toda a hierarquia romana. Em 1074, Gregório VII criou o celibato, proibindo o casamento para os papas. No ano seguinte, os padres casados se divorciaram. Em 1303, a Igreja Católica Apostólica Romana proclamou-se a única e verdadeira e só nela o homem encontraria a salvação. Em 1864 a autoridade do papa foi declarada sobre toda a Igreja, em concílio realizado no Vaticano e no ano de 1870 foi declarada a infalibilidade do Papa. Das organizações do tempo do Império Romano, o Papado foi a única que sobreviveu.

Na Lista de todos os Papas da Igreja Católica, entre os sucessores de São Pedro até o 266º.- Bento XVI, ou Benedito XVI (Joseph Ratzinger) foram 212 italianos, 17 franceses, 11 gregos, 6 sírios, 6 alemães, 3 espanhóis, 3 norte-africanos, 2 dálmatas (croatas), 2 portugueses, 1 inglês, 1 neerlandês, 1 cretense (grego) e 1 polaco. Desde a Idade Média os papas são eleitos por um colégio especial de cardeais. Com o decreto de Gregório X, no início do século XIII, o conclave torna-se uma votação secreta para evitar a interferência de pressões externas. Atualmente existem cerca de 150 cardeais no mundo, dos quais aproximadamente 120 têm direito a votar. A escolha do novo papa começa com uma missa solene na Basílica de São Pedro. Depois, os cardeais se dirigem à Capela Sistina, onde é realizada a eleição, que pode durar vários dias. Durante esse processo, eles ficam incomunicáveis e são proibidos de deixar o local da votação.

Nesta lista sucessória tradicionalmente aceita pela Igreja Católica, com indicação dos seus anos de papado, encontram-se algumas curiosidades, especialmente na numeração. Por exemplo, nunca houve um papa com o nome de João XX, nem Martinho II e III, ou um Bento X. Os nomes mais comuns são João (21), Gregório (16), Bento (14), Clemente (14) e Inocêncio e Leão (13). Outras curiosidades interessantes: 1 - Nas listas em português Estêvão e Estéfano representam o mesmo papa assim como Benedito e Bento; 2 - Entre a morte de Clemente IV(1268) e a indicação de Gregório X (1271), decorreu o mais longo "periodo eleitoral"; 3 - Bento IX assumiu a Igreja católica três vezes: entre 1032 e 1044 (quando foi deposto), em 1045 (renunciou após um mês) e entre 1047 e 1048; 4 - Ao assumir o pontificado, em 1978, o papa polonês Karol Wojtyla adotou o nome de João Paulo II e tornou-se no primeiro não italiano eleito para o cargo em 456 anos e, sob sua liderança, a Igreja Católica pôs em dúvida a infalibilidade papal ao, por exemplo, admitir pioneiramente ter cometido erros durante a Inquisição.

Nas listas papais sempre aparecem nomes de antipapas, para a Igreja falsos papas, usurpadores da jurisdição do legítimo. Os verdadeiros antipapas foram Hipólito (222-235), Novaciano (251-258), Eulálio (418-419), Lourenço (498-505), Dióscoro (530), Teodoro II (687), Pascoal I (687-692), Constantino II (767), Filipe (767), João VIII (844), Anastácio III (855) e João XVI (993). Bonifácio VII (974/984-985) aparece para uns historiadores como antipapa e para outros especialistas como um pontífice eleito paralelamente.

Urbano VI (1378-1389), não pôde evitar os antipapas de Avinhão, Clemente VII (1378-1394) e Bento XIII (1394-1423), que criaram o Cisma do Ocidente, que durou mais de 40 anos. Como papa Gregório XII (1406-1415) viveu o período mais triste do cisma avinhonense, com três sedes papais: Ele, em Roma, Bento XIII, em Avinhão (1394-1423), e Alexandre V, em Pisa (1409-1410). Ao Concilio de Pisa (1409), nem Alexandre nem Benedito compareceram e ambos foram considerados depostos. No Concílio de Cividale del Friuli, próximo a Aquileia (1409), Bento e Alexandre foram acusados de cismáticos, de cometer perjúrios e de serem devastadores da Igreja. Quando Alexandre morreu (410), os cardeais de Pisa elegeram o antipapa João XXIII (1410-1415).

Algumas listas também consideram antipapas Félix II (353-365), Ursino (366-367), Cristóvão (903-904) e Félix V (VI) (1439-1449). 

Clique aqui para as listas/links de Papas
1. "Ordem cronológica"
2. "Ordem alfabética"
 


Fontes principais:
1 - ArteHistoria/Protagonistas de la História
2 - Catolica.Net/Papas
3 - Encuentra.com: Papas y Papado
4 - Jubilaeum/Personagens
5 - NewAdvent/List of Popes
6 - Santos do Dia/Os Papas Santos
7 - Sirte do Vaticano/A Santa Sé
8 - Wikipedia/Ciudad del Vaticano