Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e (1837-1901) e imperatriz
da Índia (1876-1901) nascida no palácio de Kensington,
Londres, cujo governo marcou um período da história dos britânicos
conhecida como sociedade vitoriana. Última representante
da casa de Hanôver, era a filha única de Eduardo, duque
de Kent, e de Victoria Maria Louisa of Saxe-Coburg, sendo
seu pai o quarto filho do rei Jorge/George III, e sua mãe
irmã do rei Leopoldo, da Bélgica. Seu tio Jorge
IV foi quem sugeriu o nome de Alexandrina em homenagem ao Czar
da Rússia Alexandre II. Órfã do pai ainda
bebê de oito meses de idade, e com a morte dos tios paternos, tornou-se
herdeira do trono. Após enviuvar a Duquesa de Kent desenvolveu
uma relação íntima com um ambicioso oficial irlandês,
Sir John Conroy, que criou a princesa herdeira como se fosse
sua filha, envolvendo-a com sua influência e dando-lhe uma educação
formal, preparando-a para sua futura posição. Aos 18 anos
e 27 dias sucedeu a seu tio Guilherme/William IV (1837) com o nome
de Vitória I, em momento de enorme desprestígio da
monarquia. Após a coroação (1837) mostrou logo sua
autoridade como monarca ao expulsar Conroy da Corte Real, pela sua
tentativa de mostrar poder sobre a rainha. Inicialmente apoiada pelos liberais,
os whigs, nomeou então como primeiro-ministro o Lord
Melbourne, a quem conhecia e admirava desde sua infância
e tornou-se seu grande e particular conselheiro, a ponto das más
línguas chamarem a rainha de Mrs. Melbourne. Porém
a derrota no parlamento, a House of Commons, fez Lord Melbourne renunciar
(1939) e sair de cena para a entrada no poder do líder dos troy
como primeiro ministro, Robert Peel. Era costume quem as camareiras
da Rainha fossem indicadas pelo partido político do governo. Peel
pediu a Rainha que substituísse as senhoras dos Whig por
senhoras dos Tory. Com a recusa real, Peel renunciou e Melbourne
e os Whigs voltaram ao poder. Aderiu ao pensamento do nobre conservador
bávaro Francis Albert Augustus Charles Emmanuel, o Príncipe
Albert Saxe-Coburg (1819 - 1861), seu primo, quando este visitou
Londres (1939), com quem se casou (1840) e teve nove filhos*, e que foi
uma figura dominante em sua vida. Sua infundada acusação
de que Lady Flora Hastings estava grávida de Sir
John Conroy, enquanto na verdade ela sofria de câncer no fígado
e morria alguns meses depois, foi exaustivamente explorada pelos jornais
e a monarca se tornou muito impopular entre seus súditos, chegando
inclusive a sofrer um atentado enquanto ela estava dirigindo sua carruagem
em Londres. Outras seis tentativas de assassinato novamente aconteceram
contra a Rainha (1842/1842/1849/1850/1872/1882). Lord Melbourne
renunciou e a Corte apoiou a volta do líder conservador Sir
Robert Peel, primeiro-ministro (1841-1846) e o Lord John
Russell, seu sucessor. Hostilizou o liberal Lord Palmerston,
acusando-o de tentativa de sedução contra uma de suas damas,
no Castelo de Windsor. Muito popular entre os nobres do parlamento, Palmerston
levou a derrubar Lord Russell, e assumiu a chefia do governo
(1855) durante a guerra da Criméia (1853-1856) em que a aliança
de britânicos e franceses derrotaram a Rússia. Após
a morte do esposo (1861), vítima de febre tifóide, um duro
golpe para a rainha, passou grande parte de seu tempo nas residências
reais de Balmoral, na Escócia, e Osborne, na ilha de Wight, desinteressando-se
temporariamente dos assuntos do governo. A reversão deste comportamento
ocorreu depois da morte de Palmerston (1865) e a indicação
de William Ewart Gladstone, líder dos Liberais na House
of Commons, como Primeiro Ministro (1868). Depois da eleição
do conservador tory Benjamin Disraeli para primeiro-ministro
(1874), o favorito da rainha, e de ser coroada imperatriz da Índia
(1876), o resto de seu reinado foi comandado por mandatos conservadores
alternados entre Disraeli e seu sucessor, o Marquês de
Salisbury (1885), e os do liberal William Gladstone. Politicamente apoiou
a legislação de reforma do sistema eleitoral (1867), aceitou
a contragosto a secularização da Igreja Anglicana da Irlanda,
trabalhou pela vitória eleitoral de Disraeli contra Gladstone
(1874), dando-lhe total apoio ao segundo gabinete de Disraeli, durante
o qual o imperialismo britânico chegou ao apogeu. Profundamente conservadora,
adepta incondicional da noção do direito divino dos reis,
antidemocrática e avessa às inovações tecnológicas,
a prestigiada rainha morreu na casa dela, em Osborne, na Ilha de Wight,
após o término vitorioso da guerra dos bôeres,
na África do Sul. Seu senso de dever, honestidade e simplicidade,
seus conceitos de dignidade, autoridade e respeito à família,
marcaram um período da história dos britânicos conhecida
como sociedade vitoriana. Seu exemplo de sua vida austera e formal,
segundo rígidos princípios religiosos e éticos, influiu
no terreno da moral e dos costumes e foram seguidos pela classe média
do reino, e serviram para restaurar a dignidade e popularidade da coroa
britânica e devolver o respeito a monarquia, cujo prestígio
fora enfraquecido pelos excessos de seus antecessores. Ao longo de seu
reinado o Império Britânico expandiu-se e floresceram as letras,
ciências e artes, a indústria e o comércio. Em resumo,
a Revolução Industrial, no século XVIII, tornara
o Reino Unido a maior potência econômica do planeta, mas o
país tinha perdido suas colônias na América do Norte,
que proclamaram sua independência (1776). Porém, durante o
longo reinado dessa rainha (1837-1901), o Império Britânico
conquistou territórios na África e na Ásia. Na era
vitoriana, o Reino Unido também experimentou mudanças sociais
que muito beneficiaram seus cidadãos. Sob o governo conservador
de Benjamim Disraeli e do liberal William Gladstone, o país
aprovou relevantes leis sociais, reconheceu os sindicatos e ampliou a participação
política dos cidadãos.
*
Descendência real direta:
Victoria,
Princesa Real (filha: 21/11/1840 - 5/8/1901)
Rei
Edward VII (filho: 9/11/1841 - 6/5/1910)
Alice
Saxe-Coburg (filha: 25/4/1843 - 14/12/1878)
Alfred
Saxe-Coburg, Duque de Edinburgh
(filho: 6/8/1844 - 30/7/1900)
Helena
Saxe-Coburg (filha: 25/5/1846 - 9/6/1923)
Louise
Saxe-Coburg (filha: 18/3/1848 - 3/12/1939)
Arthur
Saxe-Coburg, Duque de Connaught
(filho: 1/5/1850 - 16/1/1942)
Leopold
Saxe-Coburg, Duque de Albany
(filho: 7/4/1853 - 28/3/1884)
Beatrice
Saxe-Coburg (filha: 14/4/1857 - 26/10/1944)
Figura
copiada do site da UNIV. TEXAS / PORTRAIT GALERY :
http://www.lib.utexas.edu/photodraw/