Ricardo
Coração de Leão
[ou
Coeur de Lion ou Lionheart]
(1157 - 1199)
Rei de Inglaterra (1189-1199) e Duque da Aquitânia
(1168-1199), Conde de Anjou e Duque da Normandia nascido em Oxford, Inglaterra,
protótipo do cavaleiro medieval e herói de incontáveis
lendas românticas. Terceiro filho de Henrique II e Eleanor
de Aquitânia, depois de Guilherme, Conde de
Poitiers, que morreu criança, e Henrique o Jovem.
Foi educado essencialmente pela mãe e quando ela decidiu separar-se
de Henrique II e ir viver em Poitiers (1170), levou-o em sua companhia.
Enquanto príncipe recebeu uma excelente educação,
mas sobretudo virada para a cultura francesa. Ricardo nunca aprendeu a
falar inglês e pouca ou nenhuma importância deu a Inglaterra
durante a sua vida.aliou-se ao rei da França, Felipe II,
contra seu pai. Herdeiro aos 11 anos, tomou posse definitiva do condado
(1172) e com a mãe e o irmão Henrique promoveu uma rebelião
que partiu da Aquitânia (1173) contra o pai, mas foi derrotado e
teve de submeter-se para obter o perdão (1174), porém Leonor
permaneceu encarcerada. Em nova revolta contra o pai (1188), conseguiu
vencê-lo com a ajuda de Filipe II Augusto da França.
Com a morte de Henrique o Jovem (1183), tornou-se inesperadamente sucessor
do trono inglês e do Ducado da Normandia, como o mais velho dos filhos
sobreviventes do monarca, além de herdeiro do ducado da Normandia
e do condado de Anjou. Após ser coroado na Abadia de Westminster,
começou a preparar a expedição à Terra Santa
que seria a Terceira Cruzada e não permaneceu muito tempo na Inglaterra.
Renunciou à aliança francesa e passou a vender tesouros reais
e cargos públicos a fim de financiar uma frota e um exército,
que levou à Palestina (1190) libertar Jerusalém do domínio
de Saladino, sultão do Egito e da Síria. Convenceu
Filipe II da França a juntar-se também à cruzada
e partiram para a Sicília (1190), onde ele e Filipe se imiscuíram
na política local, saqueando algumas cidades pelo caminho e, por
este motivo, passou a ser mal visto pelo Sacro Império. Dos dez
anos de seu reinado passou nove fora da Inglaterra, participando da 3ª
Cruzada. Obteve vitórias na cruzada como a conquista do Chipre (1191),
mas se indispôs com Leopoldo V, duque da Áustria, enquanto
Filipe II Augusto estimulava seu irmão João
sem Terra a se revoltar contra o rei, já então conhecido
como Coração de Leão, o que o obrigou a deixar
a Palestina (1192), após firmar, com Saladino, uma trégua
de três anos que permitia aos cristãos o acesso aos lugares
santos. Ao retornar (1192), foi feito prisioneiro pelo duque Leopoldo
da Áustria, que o entregou ao imperador Henrique VI,
da Alemanha. Após dois anos de prisão no castelo de Dürrenstein,
no Danúbio, foi libertado em troca de valioso resgate e promessa
de vassalagem. Coroado pela segunda vez (1194), voltou ao continente para
tentar recuperar os territórios tomados por Filipe Augusto, mas
morreu em conseqüência de ferimentos provocados por uma flecha
que o atingiu no abdômen, em um momento que estava sem armadura,
durante assédio ao castelo de Châlus, na região francesa
do Limousin. Seu corpo foi sepultado na Abadia de Fontevraud, junto de
Henrique II, da Inglaterra, e de Leonor, da Aquitânia.
Líder da Terceira Cruzada e considerado na sua época como
um herói, suas façanhas foram imortalizadas por Sir Walter
Scott no romance Ivanhoe (1819). Os muçulmanos do Médio
Oriente deram-lhe o cognome de Melek-Ric pel, e usavam a
sua figura para ameaçar as crianças que se portavam mal.