Plotino de Alexandria ou de Licópolis
(204 - 270)
Filósofo patrístico pré-nissênico e místico romano de Licópolis, no Egito, o último filósofo antigo a participar do grande sistema neoplatônico do contexto alexandrino, cuja importância está em haver dado embasamento intelectual às religiões orientais e finalmente ao próprio cristianismo, sobretudo para teólogos como Agostinho de Hipona (354-430). Estudou em Alexandria, então o maior centro cultural, entre o Oriente e o Ocidente, passando a pertencer ao círculo de Amônio Sacas (232), permanecendo por onze anos (232-243) com seu mestre estudando filosofia em Alexandria. Por ocasião da expedição do imperador Gordiano (224-244) contra os persas, o acompanhou, aproveitando a oportunidade de tomar contato com os sábios daquela remota região, viajando pela Antioquia e pela Pérsia. Depois seguiu para Roma onde abriu sua própria escola (244) e ali viveu como asceta e celibatário. Seus escritos, todos em grego, em um todo de 54 livros, as famosas Enéadas (253-269), palavra derivada de ennéa = nove, foram reunidos em seis partes de nove pequenos tratados por um seu discípulo, Porfírio o Fenício (232-304), o mais fiel dos seus discípulos, e publicadas postumamente. Receberam por isso a denominação coletiva Enéadas e traduzida ainda na antiguidade romana do grego para o latim, por Mário Victorino, ela influenciou imediatamente o Ocidente, sobretudo aos cristãos. Estes escritos sobreviveram até os dias de hoje e são considerados, juntamente com os diálogos platônicos e os esotéricos aristotélicos, as mais elevadas mensagens filosóficas da Antigüidade e do Ocidente. É considerado a última grande voz da antiguidade pagã e o maior dos filósofos da Escola de Alexandria. Suas concepções influenciaram os teólogos medievais e perduraram em toda a tradição esotérica do Ocidente. Ao final da vida, atacado por uma doença, viu-se forçado a se afastar dos discípulos e morreu na Campânia. Seu monismo panteísta é o que tem de mais peculiar o seu sistema. O processo inicial das emanações se dá na forma de Trindade divina: Tò Hén (= O Uno) deriva o Logos (= A inteligência, ou O Verbo) e deste, por sua vez, A alma do mundo. Na prática, não há grande diferença entre idéias reais de Platão (427-347 a. C.) e o seu Logos, se se considerar apenas uma e a outra entidade.