Pero de Magalhães Gândavo
(~1540 - 1579)
  Historiador, gramático e cronista português do século XVI nascido em Braga, em data ignorada, autor do primeiro manual ortográfico da língua portuguesa e da primeira história do Brasil: História da Província de Santa Cruz que vulgarmente chamamos Brasil (1576), citando pela primeira vez o termo Brasil com referência a nova terra. Filho de pais flamengos oriundos da cidade de Gand, daí o seu apedido Gândavo, foi professor de latim e de português, autor do primeiro manual ortográfico da língua portuguesa e moço de câmara do rei D. Sebastião. Trabalhou na Torre do Tombo, em Lisboa, na transcrição de documentos e nomeado provedor da Fazenda na Bahia, ali permaneceu por cerca de cinco anos (1565-1570). Percorreu outras partes do Brasil e registrou seus artigos em manuscritos que se perderam, porém cópias do Tratado da província do Brasil, encontram-se no Museu Britânico, e do Tratado da terra do Brasil, um sumário da geografia local, no acervo da Biblioteca Municipal do Porto, e da História da província de Santa Cruz (1576), na Biblioteca do Escorial, editado em Lisboa, por Antônio Gonçalves. Seu trabalho, escrito ainda no século da conquista, com informações referentes as diversas tribos indígenas e ainda as diversas capitanias em que se dividia o território brasileiro com as de Itamaracá, Bahia, Ilhéus, Espírito Santo, Porto Seguro, Rio de Janeiro e São Vicente. Era uma espécie de propaganda de incentivo a imigração, pois propagava o clima, as riquezas da terra, os recursos naturais e sociais nela existentes e as possibilidades dos portugueses mais pobres enriquecerem na terra recém descoberta. Foi testemunha direta das novidades das novas terras e dos acontecimentos e foi tido em alto valor e um verdadeiro registro da emigração portuguesa para o novo mundo. Descreveu plantas, especialmente a mandioca, assinalando as suas utilidades, assim como as características de cada parte da planta. Também descreveu uma série de aspectos locais como os animais, que eram em boa parte desconhecidos dos europeus, como o papa-formigas e o tatu, e uma série de aves, insetos e peixes exóticos. Em Dos Bichos da Terra, um capítulo do volume intitulado Tratado da Terra do Brasil (1576) ele publicou, em linguagem atualizada: Também há muita infinidade de mosquitos, principalmente ao longo de algum rio entre umas árvores que se chamam mangues, não pode nenhuma pessoa esperá-los; e pelo mato quando não há viração são muito sobejos e perseguem muito a gente ... . Em outra passagem: ... chamam peixes bois, os quais são tão grandes que os maiores pesam quarenta, cinqüenta arrobas. Têm o focinho como o de boi e dois cotos com que nadam à maneira de braços. As fêmeas têm duas tetas, com o leite das quais se criam os filhos. O rabo é largo, rombudo, e não muito comprido, não têm feição alguma de nenhum peixe, somente na pele quer se parecer com toninha. (Ver mais sobre estes textos em LITERATURA BRASILEIRA). Em História da Província Santa Cruz escreveu que depois que o pau da tinta começou a chegar ao reino chamaram de Brasil à província de Santa Cruz e que chamaram de Brasil por ser vermelho e ter semelhança de brasa e daqui ficou esta terra com este nome. Morreu em Portugal, em local incerto.

Figura copiada da página do UNISANTA:
http://www.portocidade.stcecilia.br/fotos/santos_sec_xvi_e_xvii/