Papa da Igreja Cristã Romana (625-638) nascido em Capua, Campânia,
eleito em 27 de outubro e consagrado em 3 de novembro (625) como sucessor
de Bonifácio V (619-625), em cujo pontificado empenhou-se
sobretudo na conversão dos anglo-saxões e dos lombardos,
estreitando relações com Edwin, rei da Nortúmbria,
demonstrou ser um hábil administrador dos bens eclesiásticos
e contribuiu para embelezar Roma com obras de arte e de utilidade pública.
Descendente de uma nobre família do sul da Itália, no trono
papal mostrou-se um grande articulador político no selo das coisas
da Igreja. Na Itália, apoiou Adalvaldo, favorável
aos católicos, contra o cunhado Ariovaldo, ariano. Com a
ajuda do imperador bizantino Heráclio, sanou as questões
da Igreja no Oriente e pôs fim ao cisma de Aquiléia.
Enviou missionários em quase todo mundo, instituiu a Festa da Exaltação
da Santa Cruz, no dia 14 de setembro, contribuiu para a restauração
das igrejas e consertou o antigo aqueduto de Trajano, afim de levar água
suficiente à cidade de Roma. No plano eclesiástico seu comportamento
trouxe infindáveis querelas posteriores ao seu pontificado, marcado
por inúmeras controvérsias ligadas ao monotelismo, uma heresia
sobre a vontade de Cristo, que ele não condenou. Seu nome ficou
especialmente ligado a dois escritos, enviados por ele (633/634) ao patriarca
de Constantinopla, Sérgio, favorável ao monotelismo.
O terceiro concílio ecumênico de Constantinopla (681) condenou-o
e também esses seus escritos. Mais de cem anos depois o papa
Leão III (795-816) confirmou a condenação conciliar
e o excomungou. Protestantes, jansenistas, defensores da superioridade
conciliar, galicanos, aproveitaram-se do caso para negar a infalibilidade
papal. Mais de um milênio se passou para que o Concílio Vaticano
I (1869-1870), enfim contornasse esse conflitante episódio com
o dogma da infalibilidade do papa. O encontro ecumênico admitiu que
aquele papa não pronunciou nenhuma definição dogmática
e que suas cartas continham não um ensinamento herético,
mas apenas expressões que deviam ser consideradas ambíguas
e imprudentes. O papa de número 70, morreu em 12 de outubro (638),
em Roma, e foi sucedido por Severino (640).
Figura
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