São
Cornélio papa
( ? - 253)
Papa e santo da Igreja Cristã Romana
(251-253) nascido em Roma, sucessor de São Fabião
ou Fabiano (236-250) e que mostrou uma atitude conciliadora para
com os cristãos que haviam abjurado durante a perseguição
do imperador Décio, os chamados lapsos, que pediam para ser
readmitidos à comunhão da Igreja. Escolhido 14 meses depois
da morte de Fabiano, devido à violenta perseguição
de Décio, foi descrito por Cipriano de Cartago
como um homem sem ambições e que tinha percorrido todos os
graus do serviço eclesiástico. Foi eleito não por
iniciativa própria, mas pela sua humildade, prudência e bondade,
foi extremamente combatido pelo preterido Novaciano, principal interlocutor
do clero de Roma junto ao governo imperial no período anterior.
Novaciano, que esperava ser o sucessor de Fabiano, fez-se
consagrar bispo e proclamou-se Papa. O segundo antipapa da Igreja
iniciou, assim, com um pequeno grupo de seguidores, um primeiro e verdadeiro
cisma, inclusive com a atitude oposta em relação aos
lapsos. Trabalhou com energia e habilidade para fazer-se reconhecer como
bispo pelas principais Igrejas cristãs, enquanto em Roma o grupo
de Novaciano recusava-lhe a obediência. Com a ajuda de Cipriano
de Cartago e Dionísio de Alexandria, o
papa a venceu a oposição novaciana e convocou (251), um sínodo
celebrado em Roma, contando 60 bispos e clero, em que Novaciano
e seus seguidores foram excomungados, face a negativa destes em fazer as
pazes com o pontífice. Também ficou conhecido por suas cartas
escritas às outras igrejas sobre o problema do cisma, inclusive
uma conhecida endereçada a Eusébio de Cesaréia,
em que fornecia uma estatística detalhada, de grande valor histórico,
sobre o clero dos vários graus na Igreja de Roma daquele tempo.
Com a chegada ao poder do imperador Treboniano Galo (251-253), recomeçaram
as perseguições e (252) o papa foi preso e exilado a Centocelle,
atual Civitavecchia, onde morreu em junho do ano seguinte, e foi sucedido
por São Lúcio I (253-254). Seu corpo foi logo transportado
a Roma e sepultado na cripta de Lucina nas catacumbas de S. Calisto. A
inscrição de sua tumba é o primeiro epitáfio
papal escrito em latim, que chegou intacta até aos tempos contemporâneos.