Anacleto
[ou Cleto] I, papa
( ~ 45 - 88)
Terceiro Papa da Igreja Cristã
(76-88), que segundo o Liber pontificalis, sucedeu o papa Lino,
o segundo papa da Igreja, e tornou-se o seu terceiro mártir. De
origem romana, da família dos pretorianos e, convertido à
fé cristã, tornou-se discípulo de Pedro, destacando-se por
seu grande fervor, admirável devoção aos ensinamentos
do mestre e defensor implacável da Igreja. Por causa de sua afabilidade,
gozando de simpatia mesmo entre os pagãos, foi indicado pelo papa
Lino para importantes trabalhos apostólicos em Roma e vizinhanças.
Assumiu o trono pontifício logo após o martírio de
seu predecessor, o papa Lino, e enfrentou grandes dificuldades,
perseguições e constantes investidas, defendendo com muita
coragem as causas da Igreja de Cristo, pastoreando os cristãos com
extrema vigilância. Durante onze anos de intensas atividades no trono
papal, aproveitou um tempo de paz concedida aos cristãos sob o reinado
do imperador Vespasiano para organizar o crescimento da Igreja.
Ordenou 25 sacerdotes em Roma, sancionou a veneração ao túmulo
de Pedro, erigindo um monumento sobre a sepultura do apóstolo
de Cristo. Distribuiu uma série de orientações
que condenavam o culto de objetos mágicos e de feitiçaria
e outras cerimônias envolvendo deuses pagãos. Os escritos
de Ireneu e de Eusébio de Cesaréia confirmam
sua eleição como Anacleto I ou abreviadamente como Cleto,
o que levou alguns a pensar como se fosse dois papas diferentes. O martirológio
romano assinala que morreu martirizado durante o governo do Imperador Domiciano,
inimigo mortal dos cristãos e que moveu contra a Igreja uma das
mais horríveis e atrozes perseguições. Durante a massacrante
perseguição não cessava de percorrer todas as cidades
e lugarejos, grutas e cavernas, usadas como esconderijo, procurando consolar
e assistir os cristãos. Com a ordem dado pelo imperador aos guardas
para que o pontífice romano fosse encontrado de qualquer maneira,
acabou sendo preso, arrastado e submetido a diversos tormentos, até
ser finalmente martirizado. Como um dos mártires da Igreja Católica,
foi sepultado ao lado do túmulo de Pedro e foi substituído
pelo papa Clemente I (88-97). Tornou-se um dos santos da Igreja,
cuja comemoração litúrgica é celebrada no dia
27 de abril, data tradicional de seu martírio. Algumas listas contam
o final do seu pontificado, e portanto sua morte, em 27 de abril de 92.