Cantor brasileiro nascido no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro,
cognominado
de O Cantor das Multidões e o
mais jovem dos quatro grandes intérpretes da música popular
brasileira, que incluía além dele Francisco Alves, Silvio Caldas
e Carlos Galhardo. Filho de José Celestino da Silva, operário,
exímio violonista e chorão, e de Balbina Garcia da Silva,
ficou órfão do pai (1918) com três irmãos, e
passou a infância entre Todos os Santos, Meier, Largo dos Pilares
e Engenho de Dentro. Cursou o primário e apenas iniciou o ginásio
e, passando dificuldades financeiras, passou a trabalhar aos 12 anos, para
ajudar padrasto, com quem sempre se deu bem, o guarda municipal Júlio
Nunes de Oliveira, na criação dos seus novos quatro irmãos.
Passou por vários empregos como ceramista, estafeta, sapateiro,
balconista etc. Como entregador de roupas, com 16 anos, ao tentar subir
em um bonde, acidentou-se e teve amputados quatro dedos do pé esquerdo.
Com dificuldades de locomoção empregou-se como cobrador de
ônibus. Apesar de nunca ter estudado música e ser extremamente
tímido, desde pequeno era atraído pelo canto e de vez em
quando cantava para os companheiros e para os vizinhos. Chegou a cantar
em circos, clubes, restaurantes e cinemas, até que
ouvido
ocasionalmente pelo compositor Bororó, foi apresentado a
Francisco Alves no seu Café Nice, na Rádio
Cajuti (Tijuca ao contrário) que se entusiasmou com o
calouro (1934) e lá permaneceu por sete meses. No ano seguinte ele
conseguiu sua primeira oportunidade para gravar, na Columbia. Contratado
da RCA Victor (1935-1942), viveu o período de ouro em sua carreira,
onde iniciou gravando o comercial Chopp da Brahma. O sucesso em
disco veio com a gravação de Lábios que beijei
e Juramento falso (1937). Dai para frente era só gravar e
fazer sucesso. No ano seguinte foi a São Paulo pela primeira vez
e recebeu extraordinária consagração popular, sendo
apresentado por Oduvaldo Cozzi, na Rádio Nacional, como O
cantor das multidões. Em sua carreira cantou nas rádios
Inconfidência, nesta com programa próprio, Transmissora, Nacional
(1936-1945), Mayrink Veiga e Guanabara. Teve um caso amoroso atribulado
(1940-1943) com a atriz Maria José Fonseca, a Zezé
Fonseca, e casou-se (1947) com Maria de Lourdes Souza
Franco, que o ajudou muito a reerguer-se da vida desregrada, que o
levara a ser demitido da Rádio Nacional (1945), quando já
gravava pela Odeon (1942). Em recuperação do vício
da morfina e do álcool, foi novamente levado por Francisco Alves
para apresentações esporádicas na Rádio Nacional
(1951). Já no ano seguinte, com a morte do Rei da Voz, foi
indicado para substituí-lo no programa dominical de maior audiência
da Nacional, Quando os ponteiros se encontram (1952-1955). Voltou
a gravar pela RCA Victor (1959) onde permaneceu até a sua morte.
Seu último trabalho gravado foi o LP Orlando Silva Hoje (1974),
com músicas de Taiguara, Antônio Carlos e Jocafi,
Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros.
Faleceu de isquemia cerebral no
Hospital Gaffrée Guinle, na cidade do Rio de Janeiro, e foi sepultado
no Cemitério São João Batista, sob a entoação
da valsa Carinhoso pelo público que participou do cortejo.
Entre seus principais sucessos citam-se Faceira
(1931), Tu (1934), Chora, cavaquinho (1935), Por
Causa Desta Cabocla (1935), A
última estrofe (1935), Inquietação
(1935), Capricho do destino (1936), Meu romance (1937),
Juramento falso (1937), Carinhoso (1937), Abre a janela (1937),
A última canção (1937), Alegria (1937),
Lábios que beijei (1937), Amigo leal (1937), A
jardineira (1938), Nada além (1938), Errei, erramos
(1938), Meu consolo é você (1938), Mal-me-quer (1939),
Sertaneja (1939), Número um (1939), Quando se pede
a uma estrela (1940), Curare (1940), Súplica (1940),
Aos pés da cruz (1942), Faixa
de Cetim (1942), Quero Dizer-te Adeus (1942), Atira
a primeira pedra (1943), Brasa (1945), Brigamos outra vez
(1945), Risque (1952).
Cantando, chegou a participar de três filmes: Cidade mulher (1936),
Banana da terra (1939) e Segura essa mulher (1946). A crítica,
os pesquisadores e estudiosos da música popular brasileira são
unânimes em apontá-lo como o maior fenômeno musical
brasileiro de todos os tempos.
Figura copiada parcialmente do
site ARY BARROSO
http://www.geocities.com/TheTropics/Cabana/1244/