Orlando Garcia da Silva, o Orlando Silva
(1915 - 1978)
  Cantor brasileiro nascido no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, cognominado de O Cantor das Multidões e o mais jovem dos quatro grandes intérpretes da música popular brasileira, que incluía além dele Francisco Alves, Silvio Caldas e Carlos Galhardo. Filho de José Celestino da Silva, operário, exímio violonista e chorão, e de Balbina Garcia da Silva, ficou órfão do pai (1918) com três irmãos, e passou a infância entre Todos os Santos, Meier, Largo dos Pilares e Engenho de Dentro. Cursou o primário e apenas iniciou o ginásio e, passando dificuldades financeiras, passou a trabalhar aos 12 anos, para ajudar padrasto, com quem sempre se deu bem, o guarda municipal Júlio Nunes de Oliveira, na criação dos seus novos quatro irmãos. Passou por vários empregos como ceramista, estafeta, sapateiro, balconista etc. Como entregador de roupas, com 16 anos, ao tentar subir em um bonde, acidentou-se e teve amputados quatro dedos do pé esquerdo. Com dificuldades de locomoção empregou-se como cobrador de ônibus. Apesar de nunca ter estudado música e ser extremamente tímido, desde pequeno era atraído pelo canto e de vez em quando cantava para os companheiros e para os vizinhos. Chegou a cantar em circos, clubes, restaurantes e cinemas, até que
ouvido ocasionalmente pelo compositor Bororó, foi apresentado a Francisco Alves no seu Café Nice, na Rádio Cajuti (Tijuca ao contrário) que se entusiasmou com o calouro (1934) e lá permaneceu por sete meses. No ano seguinte ele conseguiu sua primeira oportunidade para gravar, na Columbia. Contratado da RCA Victor (1935-1942), viveu o período de ouro em sua carreira, onde iniciou gravando o comercial Chopp da Brahma. O sucesso em disco veio com a gravação de Lábios que beijei e Juramento falso (1937). Dai para frente era só gravar e fazer sucesso. No ano seguinte foi a São Paulo pela primeira vez e recebeu extraordinária consagração popular, sendo apresentado por Oduvaldo Cozzi, na Rádio Nacional, como O cantor das multidões. Em sua carreira cantou nas rádios Inconfidência, nesta com programa próprio, Transmissora, Nacional (1936-1945), Mayrink Veiga e Guanabara. Teve um caso amoroso atribulado (1940-1943) com a atriz Maria José Fonseca, a Zezé Fonseca,  e casou-se (1947) com Maria de Lourdes Souza Franco, que o ajudou muito a reerguer-se da vida desregrada, que o levara a ser demitido da Rádio Nacional (1945), quando já gravava pela Odeon (1942). Em recuperação do vício da morfina e do álcool, foi novamente levado por Francisco Alves para apresentações esporádicas na Rádio Nacional (1951). Já no ano seguinte, com a morte do Rei da Voz, foi indicado para substituí-lo no programa dominical de maior audiência da Nacional, Quando os ponteiros se encontram (1952-1955). Voltou a gravar pela RCA Victor (1959) onde permaneceu até a sua morte. Seu último trabalho gravado foi o LP Orlando Silva Hoje (1974), com músicas de Taiguara, Antônio Carlos e Jocafi, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros. Faleceu de isquemia cerebral no Hospital Gaffrée Guinle, na cidade do Rio de Janeiro, e foi sepultado no Cemitério São João Batista, sob a entoação da valsa Carinhoso pelo público que participou do cortejo. Entre seus principais sucessos citam-se Faceira (1931), Tu (1934), Chora, cavaquinho (1935), Por Causa Desta Cabocla (1935), A última estrofe (1935), Inquietação (1935), Capricho do destino (1936), Meu romance (1937), Juramento falso (1937), Carinhoso (1937), Abre a janela (1937), A última canção (1937), Alegria (1937), Lábios que beijei (1937), Amigo leal (1937), A jardineira (1938), Nada além (1938), Errei, erramos (1938), Meu consolo é você (1938), Mal-me-quer (1939), Sertaneja (1939), Número um (1939), Quando se pede a uma estrela (1940), Curare (1940), Súplica (1940), Aos pés da cruz (1942), Faixa de Cetim (1942), Quero Dizer-te Adeus (1942), Atira a primeira pedra (1943), Brasa (1945), Brigamos outra vez (1945), Risque (1952).  Cantando, chegou a participar de três filmes: Cidade mulher (1936), Banana da terra (1939) e Segura essa mulher (1946). A crítica, os pesquisadores e estudiosos da música popular brasileira são unânimes em apontá-lo como o maior fenômeno musical brasileiro de todos os tempos.

Figura copiada parcialmente do site ARY BARROSO
http://www.geocities.com/TheTropics/Cabana/1244/