Nikolái Ale[x/ks]ándrovitch Berdiaeff
(1874 - 1948)
Filósofo soviético nascido em Kiev, foi um dos principais representantes do existencialismo cristão, escola filosófica que buscava examinar a condição humana numa perspectiva cristã, e crítico da maneira como as idéias de Karl Marx foram postas em prática na União Soviética. Envolvido em atividades marxistas foi condenado a três anos de exílio (1899). Depois de cumprida a pena morou em São Petersburgo, onde tomou parte em movimentos culturais e religiosos. Mudou-se para Moscou (1907) e, após a revolução (1917), lecionou filosofia na Universidade de Moscou, mas entrou em conflito com o regime e foi expulso do país, principalmente por suas ligações com a igreja ortodoxa russa. Radicou-se em Paris, cidade onde faleceu e onde com outros exilados fundou uma academia de estudos filosóficos e religiosos (1924) e um jornal, Put' (1925), por meio do qual combateu o comunismo. Paralelamente combateu também a ordem industrial capitalista, responsabilizando-a pela desumanização da sociedade e da cultura. Entre seus mais de vinte livros destacam-se O naznatcheni tcheloveka (1931) e Essai de métaphysique eschatologique (1946). Numa crítica a utopia socialista, o projeto de organização da felicidade mediante o Estado, o grande filósofo russo, desconhecido das novas gerações, ensinava que a felicidade não era organizável  A felicidade escapa a todo tipo de planificação e ordenamento porque sua matéria-prima é a liberdade, e a  felicidade de um não coincide com a de outro. Não seria a política, qualquer política, que faria um dia o homem feliz. A política não dá para tanto e não se deve esperar tanto dela.