Advogado
e líder político sul-africano nascido em Transkei, África
do Sul, considerado um guerreiro em luta pela liberdade e Prêmio
Nobel da Paz (1993) pelo seu esforço conjunto para acabar de forma
pacífica com o
apartheid, dividido com
Frederik Willem
de Klerk (1936 - ). Filho de o Henry Mandela, chefe da uma tribo
de Thembu, passou a infância na região da sua tribo onde foi
educado. Ainda um jovem estudante do direito na University College de Fort
Har, envolveu-se na luta de oposição ao regime do apartheid,
que negava aos negros direitos políticos, sociais e econômicos,
embora estes fossem maioria na população. Na Universidade
de Witwatersrand diplomou-se em leis (1942) e uniu-se ao Congresso
Nacional Africano (1944) e como membro do CNA destacou-se como ativista
político. Então, juntamente com Walter Sisulu e Oliver
Tambo, entre outros, o Umkhonto we Sizwe ou Lança
da Nação, um braço armado do CNA, e se tornou
seu comandante (1944). Depois da eleição (1948) dar a vitória
aos afrikaners do Partido Nacional, que defendiam uma política
de segregação racial e preconceitos raciais, tornou-se seu
mais ativo opositor e passou a atuar diretamente contra as políticas
de apartheid do National Party. Participou do Congresso do Povo
(1955) em que divulgou a Carta da Liberdade, um documento contendo
um programa fundamental para a causa anti-apartheid. Assim, foi
acusado de traição e sofreu um longo processo (1956-1961)
do qual finalmente seria absolvido (1961). Neste período, após
o massacre de Sharpeville (1960), quando a polícia sul-africana
atirou em manifestantes negros, desarmados, matando 69 pessoas e ferindo
180, passou a defender a resistência armada e coordenou uma campanha
de sabotagem contra alvos militares e do governo. Acusado de sabotador
e guerrilheiro, o Congresso Nacional Africano avaliou a proposta do uso
da força para combater a segregação racial e concordou
que seus membros que desejassem se envolver na luta armada não seriam
punidos. O governo decretou a ilegalidade do CNA e outros grupos anti-apartheid,
e passou a caçar o líder negro como um terrorista. No ano
seguinte foi preso e condenado a cinco anos prisão com trabalhos
forçados, por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves.
Depois (1964), em novo julgamento pela sua ativisade terrorista, foi sentenciado
à prisão perpétua, escapando de uma pena de morte
por enforcamento. Cumpriu pena na Robben Island Prison, longe de Cape Town
(1964-1982), e depois em Pollsmoor Prison. Porém durante os anos
de prisão, cresceu a reputação internacional cresceu
continuamente e tornou-se o mais importante líder negro da África
do Sul e um poderoso símbolo de resistência do movimento de
anti-apartheid.
Recusou um acordo condicional proposto pelo governo em troca de sua liberdade
permanente. Pressionado pela opinião internacional, o governo deu-lhe
finalmente a liberdade no dia 11 de fevereiro (1990), por ordem do presidente
Frederik Willem de Klerk, depois de quase três décadas
de reclusão. O CNA também foi tirado da ilegalidade e depois
da liberação, mergulhou fundo em sua luta e realizou (1991)
à primeira conferência nacional do CNA na África do
Sul e foi eleito seu presidente (1991-1997). Nas eleições
presidenciais seguintes, as primeiras como os votos multirraciais, foi
eleito como o primeiro presidente negro da África do Sul e exerceu
o mandato de cinco anos (1994-1999), comandando a transição
do regime de minoria, o apartheid. Reconhecidamente não fez
um governo brilhante, mas ganhou respeito internacional por sua luta em
prol da reconciliação interna e externa. Após o fim
do mandato de presidente (1999), afastou-se da política partidária
e voltou-se para a causa de diversas organizações sociais
e de direitos humanos. Figura dotada de um inesgotável prestígio
no país e no estrangeiro, provavelmente o político com maior
autoridade moral no continente africano, o que lhe permitiu desempenhar
o papel de conciliador em vários conflitos políticos no seu
continente, anunciou sua aposentadoria da vida pública aos 85 anos,
por causa das suas condições de saúde (2004). Além
do Nobel, recebeu muitas distinções no exterior, incluindo
a Ordem de St. John, da rainha Elisabete II, e a Medalha
presidencial da Liberdade do presidente estadunidense George Bush,
e uma das duas únicas pessoas de origem não-indiana a receber
o Bharat Ratna, a mais alta distinção da Índia
(1990). Também se tornou cidadão honorário do Canadá
e um dos poucos líderes estrangeiros a receber a Ordem do Canadá
(2001).
Também foi premiado pela Anistia Internacional com o prêmio
Embaixador de Consciência (2006) em reconhecimento à liderança
na luta pela proteção e promoção dos direitos
humanos. Particularmente se casou três vezes, sendo a primeira com
Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou (1957) ainda na prisão,
após 13 anos de casamento. Depois casou-se com Winie Madikizela,
e com ela ficou 38 anos, divorciando-se (1996) por causa de divergências
políticas entre o casal. No seu 80º aniversário, casou-se
então com Graça Machel, viúva de Samora
Machel, ex-presidente de Moçambique e aliado do CNA. Publicou
The Struggle Is My Life (1986), Forging a Democratic, Nonracial
South Africa (1993) e Long Walk to Freedom (1994), entre outros.
Figura
copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
http://nobelprize.org/