Dom Carlos Filipe Ximenes Belo
(1948 - )
  Bispo católico-romano timorense nascido em Vialacama, uma aldeia em Vemasse, distrito de Baucau, na costa norte do então Timor Português, Prêmio Nobel da Paz (1996) pelo seu trabalho em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste, conjuntamente dividido com José Ramos-Horta (1949 - ), prêmio que trouxe novas esperanças à questão dos direitos humanos e da autodeterminação do povo do Timor-Leste. Quinto filho do professor de educação primária Domingos Vaz Filipe e de Ermelinda Baptista Filipe, ficou órfão de pai quando tinha apenas dois anos de idade. Foi educado nas escolas católicas de Baucau e Ossu, até ingressar no seminário de Daré, nos arredores de Díli, onde formou-se (1968). Viveu os anos seguintes (19691981) entre Portugal e Roma, exceto por um pequeno período (1974-1976) quando esteve em Timor e em Macau. Tornou-se membro da congregação dos Salesianos e estudou filosofia e teologia e foi ordenado padre (1980) e mudou-se para o Timor-Leste (1981), onde foi professor e diretor do Colégio Salesiano de Fatumaca. Nomeado administrador da Diocese de Díli (1983) pelo Papa João Paulo II, tornando-se chefe da igreja em Timor-Leste, cinco anos depois foi ordenado bispo (1988), em Lorium, Itália. Com o tempo, tornou-se a única voz timorense insistentemente apelando para a paz e a liberdade e teve a coragem de condenar publicamente a crueldade e o abuso das forças armadas, a guerra psicológica e as constantes violações dos direitos humanos. Escreveu (1989) ao presidente de Portugal, Mário Soares, ao papa João Paulo II e ao secretário-geral da ONU, Javier Pérez de Cuellar, pedindo ajuda internacional para o oprimido povo timorense e apoio para a promoção de um futuro independente para o Timor-Leste. Foi perseguido pelas autoridades indonésias até que seu heróico trabalho em prol dos timorenses foi internacionalmente reconhecido e lhe foi entregue o Prêmio Nobel da Paz em Dezembro (1996). A independência de Timor-Leste foi proclamada seis anos depois, a 20 de Maio (2002). Com a saúde enfraquecida, pediu ao papa João Paulo II demissão como administrador apostólico de Díli, seis meses depois. Após receber tratamento médico em Portugal, aceitou (2004) ser missionário na diocese de Maputo, como membro da congregação dos Salesianos, em Moçambique.

Figura copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
http://nobelprize.org/