Bispo católico-romano timorense nascido em Vialacama, uma aldeia
em Vemasse, distrito de Baucau, na costa norte do então Timor Português,
Prêmio Nobel da Paz (1996) pelo seu trabalho em prol de uma solução
justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste, conjuntamente dividido
com José Ramos-Horta (1949 - ), prêmio que trouxe novas
esperanças à questão dos direitos humanos e da autodeterminação
do povo do Timor-Leste. Quinto filho do professor de educação
primária Domingos Vaz Filipe e de Ermelinda Baptista Filipe,
ficou órfão de pai quando tinha apenas dois anos de idade.
Foi educado nas escolas católicas de Baucau e Ossu, até ingressar
no seminário de Daré, nos arredores de Díli, onde
formou-se (1968). Viveu os anos seguintes (19691981) entre Portugal e Roma,
exceto por um pequeno período (1974-1976) quando esteve em Timor
e em Macau. Tornou-se membro da congregação dos Salesianos
e estudou filosofia e teologia e foi ordenado padre (1980) e mudou-se para
o Timor-Leste (1981), onde foi professor e diretor do Colégio Salesiano
de Fatumaca. Nomeado administrador da Diocese de Díli (1983) pelo
Papa João Paulo II, tornando-se chefe da igreja em Timor-Leste,
cinco anos depois foi ordenado bispo (1988), em Lorium, Itália.
Com o tempo, tornou-se a única voz timorense insistentemente apelando
para a paz e a liberdade e teve a coragem de condenar publicamente a crueldade
e o abuso das forças armadas, a guerra psicológica e as constantes
violações dos direitos humanos. Escreveu (1989) ao presidente
de Portugal, Mário Soares, ao papa João Paulo II
e
ao secretário-geral da ONU, Javier Pérez de Cuellar,
pedindo ajuda internacional para o oprimido povo timorense e apoio para
a promoção de um futuro independente para o Timor-Leste.
Foi perseguido pelas autoridades indonésias até que seu heróico
trabalho em prol dos timorenses foi internacionalmente reconhecido e lhe
foi entregue o Prêmio Nobel da Paz em Dezembro (1996). A independência
de Timor-Leste foi proclamada seis anos depois, a 20 de Maio (2002). Com
a saúde enfraquecida, pediu ao papa João Paulo II
demissão como administrador apostólico de Díli, seis
meses depois. Após receber tratamento médico em Portugal,
aceitou (2004) ser missionário na diocese de Maputo, como
membro da congregação dos Salesianos, em Moçambique.
Figura
copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
http://nobelprize.org/