Aristide Briand
(1862 - 1932)
  Político pacifista francês nascido numa região rural do interior da Britânia francesa e perto de Nantes, Pays de La Loire, fundador do diário socialista L’Humanité e galardoado com o Prêmio Nobel da Paz (1926) pelos seus esforços para a elaboração do Tratado de Locarno* (1925), dividido com Gustav Stresemann (1878-1929). Filho de um próspero estalajadeiro, foi enviado a escola da cidade litorânea de  Saint-Nazaire, em Loire Atlantique, e depois para o Lycée de Nantes, onde estudou leis. De grande fluência oratória preferiu o jornalismo político à advocacia e tornou-se um líder esquerdista. Foi eleito deputado pelo Partido Socialista Francês (1902), mas com defensor de um socialismo não marxista, foi expulso do Partido (1906), mas dominou a vida política do seu país durante um período que compreendeu inclusive a Primeira Guerra Mundial. Ocupou o cargo de ministro da Instrução Pública e da Cultura, o primeiro dos seus vinte e foi primeiro-ministro em dez momentos diferentes (1909-1929) e 16 vezes ministro dos Negócios Estrangeiros (1915-1932). Formou um novo gabinete (1921) e iniciou uma reviravolta na política francesa quando recomendou adotar uma política de pós guerra conciliadora com a Alemanha de Gustav Stresemann, e viu-se obrigado a demitir-se um ano depois. Voltou a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros (1925) e foi novamente chefe de governo (1925-1926) e durante o período em que ele desempenhou o seu último cargo ministerial, o de ministro dos Negócios Estrangeiros (1926-1932), foi nomeado presidente de honra da União Paneuropéia (1927) e junto com Frank B. Kellogg, seu colega estudante, idealizou e elaborou um tratado multilateral, o Pacto Briand-Kellogg, destinado a renunciar à guerra como meio de solucionar conflitos. Também foi o primeiro chefe de governo em exercício a “defender” ativamente a idéia de união européia. Propôs na assembléia da Liga das Nações, no dia 5 de setembro (1929), na sede em Genebra, que fosse criado um laço federal entre os povos do Velho Continente. Seu chefe de gabinete e também diretor de assuntos econômicos e comerciais do governo, Alexis Léger, também conhecido como Saint-John Perse, redigiu o Mémorandum sur l’organisation d’un régime d’union fedérale européenne, publicado pelo governo francês em maio (1930). Era uma proposta formal de união federal européia, uma instauração de uma espécie de comunhão federal entre os povos da Europa. A propósito da idéia era sua preocupação com a ultrapassagem do contencioso franco-alemão, principalmente no tocante à gestão da Renânia e às reparações de guerra, ensaiando resolver o problema, não de maneira bilateral, mas integrando a questão num âmbito mais vasto, a multilateralidade de uma organização européia. Acolhido com entusiasmo em certos meios intelectuais, contudo, o ambiente internacional alterara-se completamente com a morte do chefe do governo alemão, Gustav Streseman (1929), a quebra da Bolsa de Nova Iorque, no mês seguinte, e a vitória eleitoral dos nazistas (1930) e a idéia não prosperou devidamente e só encontrou incompreensão nos 26 governos europeus membros da Sociedade, especialmente os britânico, alemão e italiano. A sua idéia de uma União Européia, só ganharia seus primeiros contornos alguns anos depois da Segunda Guerra Mundial, quando foi tomando forma o processo de integração, décadas depois de seu falecimento em Paris.

* OBS: O nome da cidade de Locarno não deve ser confundido com Lugano ou com Lucerna, outras cidades suíças.

Figura copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
http://nobelprize.org/