Político pacifista francês nascido numa região rural
do interior da Britânia francesa e perto de Nantes, Pays de La Loire,
fundador do diário socialista
L’Humanité e galardoado
com o Prêmio Nobel da Paz (1926) pelos seus esforços para
a elaboração do Tratado de Locarno* (1925), dividido com
Gustav Stresemann (1878-1929). Filho de um próspero estalajadeiro,
foi enviado a escola da cidade litorânea de Saint-Nazaire,
em Loire Atlantique, e depois para o Lycée de Nantes, onde estudou
leis. De grande fluência oratória preferiu o jornalismo político
à advocacia e tornou-se um líder esquerdista. Foi eleito
deputado pelo Partido Socialista Francês (1902), mas com defensor
de um socialismo não marxista, foi expulso do Partido (1906), mas
dominou a vida política do seu país durante um período
que compreendeu inclusive a Primeira Guerra Mundial. Ocupou o cargo de
ministro da Instrução Pública e da Cultura, o primeiro
dos seus vinte e foi primeiro-ministro em dez momentos diferentes (1909-1929)
e 16 vezes ministro dos Negócios Estrangeiros (1915-1932). Formou
um novo gabinete (1921) e iniciou uma reviravolta na política francesa
quando recomendou adotar uma política de pós guerra conciliadora
com a Alemanha de Gustav Stresemann, e viu-se obrigado a demitir-se
um ano depois. Voltou a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros
(1925) e foi novamente chefe de governo (1925-1926) e durante o período
em que ele desempenhou o seu último cargo ministerial, o de ministro
dos Negócios Estrangeiros (1926-1932), foi nomeado presidente de
honra da União Paneuropéia (1927) e junto com Frank B.
Kellogg, seu colega estudante, idealizou e elaborou um tratado multilateral,
o Pacto Briand-Kellogg, destinado a renunciar à guerra como
meio de solucionar conflitos. Também foi o primeiro chefe de governo
em exercício a “defender” ativamente a idéia de união
européia. Propôs na assembléia da Liga das Nações,
no dia 5 de setembro (1929), na sede em Genebra, que fosse criado um laço
federal entre os povos do Velho Continente. Seu chefe de gabinete e também
diretor de assuntos econômicos e comerciais do governo, Alexis
Léger, também conhecido como Saint-John Perse,
redigiu o Mémorandum sur l’organisation d’un régime d’union
fedérale européenne, publicado pelo governo francês
em maio (1930). Era uma proposta formal de união federal européia,
uma instauração de uma espécie de comunhão
federal entre os povos da Europa. A propósito da idéia era
sua preocupação com a ultrapassagem do contencioso franco-alemão,
principalmente no tocante à gestão da Renânia e às
reparações de guerra, ensaiando resolver o problema, não
de maneira bilateral, mas integrando a questão num âmbito
mais vasto, a multilateralidade de uma organização européia.
Acolhido com entusiasmo em certos meios intelectuais, contudo, o ambiente
internacional alterara-se completamente com a morte do chefe do governo
alemão, Gustav Streseman (1929), a quebra da Bolsa de Nova
Iorque, no mês seguinte, e a vitória eleitoral dos nazistas
(1930) e a idéia não prosperou devidamente e só encontrou
incompreensão nos 26 governos europeus membros da Sociedade, especialmente
os britânico, alemão e italiano. A sua idéia de uma
União Européia, só ganharia seus primeiros contornos
alguns anos depois da Segunda Guerra Mundial, quando foi tomando forma
o processo de integração, décadas depois de seu falecimento
em Paris.
* OBS: O nome da cidade de Locarno não deve ser confundido com Lugano ou com Lucerna, outras cidades suíças.
Figura
copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
http://nobelprize.org/