Mikhail Sergeievitch Gorbatchev
(1931 - )
  
Líder político nascido em Privolie, sudoeste da Rússia, que foi chefe do governo soviético (1985-1991) e liderou reformas radicais que resultaram na reestruturação política e econômica que levou à desagregação da União Soviética e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista (1946) e ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista (1952). Casou-se com Raisa Gorbacheva (1953), com quem teve uma filha. Formou-se (1955) e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal e depois em Moscou. Passou a integrar o Comitê Central do partido (1971) e oito anos mais tarde tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. A morte de Brejnev (1982), trouxe problemas na cúpula hierárquica do país, pois seus sucessores, idosos e doentes, morreram pouco tempo depois da posse. Assim ganhou influência política durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko (1982-1985). Com a morte de Tchernenko, foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético (1985), iniciando-se assim a renovação dos quadros dirigentes, para desespero dos conservadores. Isso permitiu implementar reformas profundas, tanto na economia quanto na política e na administração. Reformulou a filosofia partidária e investiu pesado na ativação da estagnada economia da União Soviética. Recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais. Deu um passo revolucionário na política de reformas ao implantar a chamada glasnost (1986-1987), uma política de abertura e transparência que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. Com a perestroika ou reestruturação, um plano de reestruturação do sistema político e econômico da União Soviética, implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou. Em linhas gerais, tratava-se de retirar o excessivo controle do Estado sobre a economia, abrindo a possibilidade negócios privados e de competição das empresas no mercado, e de simplificar a estrutura administrativa, de dimensões gigantescas mas de agilidade extremamente ineficiente. Na política externa assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance (1987) e ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam a quase 10 anos o Afeganistão (1988). Com uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto. Eleito presidente do Soviete Supremo (1989) e presidente da União Soviética, deu um passo decisivo em política de distensão antiimperialista ao reconhecer o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas neles estacionadas. Concordou com a reunificação da Alemanha (1990) e recebeu o Prêmio Nobel da Paz (1990) pela sua contribuição para o fim da Guerra Fria. Ainda usou a força militar para controlar o desmembramento gradual de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia. Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética, provocado pelo rápido liberalismo econômico e a conseqüente escassez de produtos essenciais, o que fez seu prestígio político interno entrar em rápido declínio. Após um fracassado golpe de estado da linha dura do partido (1991) e derrotado pela resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, foi reconduzido ao governo, dissolveu o Comitê Central, reduziu o poder da polícia política e das forças armadas. Porém sucumbiu com a consolidação da liderança de Yeltsin e, neste mesmo ano, foi obrigado a deixar o governo em favor daquele. Desde então dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.

Foto copiada do site da FUNDAÇÃO NOBEL:
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