(Em colaboração com Renato Monteiro Kloss)

DEFINIÇÕES

COSMOGONIA: s.f. (do gr. kosmogonia) Mitos que contam a criação do mundo. 
ESCATOLOGIA: s.f. (do gr. éschatos + logo + ia) Mitos que explicam o destino do homem após a morte. 
MITO: s.m. (do gr. mythos) Relato ou narrativa de origem remota e significação simbólica, que tem como personagens deuses, seres sobrenaturais, fantasmas coletivos, etc. 
MITOLOGIA: s.f. (do gr. mythologia) Conjunto de mitos de uma determinada cultura transmitido pela tradição (oral ou escrita). 
PANTEÃO: s.f. (do gr. pántheion) 1.Templo que na Grécia e na Roma antigas, era consagrado a todos os deuses;
também significa o conjunto das divindades de uma religião politeísta. 
TEOGONIA: s.f. (do gr. theogonia) Mitos que contam o nascimento dos deuses. 


RESENHA E LINKS

Presentes em todas as culturas, os mitos situam-se entre a Razão e a , mas são considerados sagrados. Os principais tipos de mito referem-se à origem dos deuses, do mundo e ao fim das coisas. Nesse aspecto define-se mitologia como o conjunto dos mitos próprios de um povo, de uma civilização, de uma religião. No estudo das mitologias, a Grega, e por herança a Romana, foi uma das mais fantásticas que um povo já produziu. Compreendendo um conjunto de mitos, lendas e entidades divinas e/ou fantásticas, com deuses, semideuses e heróis, presentes na religião praticada na Grécia Antiga, foram criados e transmitidos originalmente por tradição oral. O principal intuito deste fantasioso mundo mitológico era explicar fenômenos naturais, culturais ou religiosos que não tinha explicação natural e, assim, constituiu-se, por sua riqueza narrativa e conceitual, em uma das mais interessantes mitologias mundiais.

Os gregos antigos adoravam vários deuses, todos com formas e atributos humanos, que povoavam o céu, a terra, os mares e o mundo subterrâneo. Nas suas várias lendas, histórias e cânticos, cada um dos deuses da Grécia Antiga tinha sua própria identidade, tal como forma física, genealogia, interesses, personalidade e outros atributos peculiares de cada um. No entanto, essas descrições podiam ter variantes locais que, até com certa freqüência, levam a descrições diferentes em partes distintas do mundo grego antigo. Em geral, apesar de quase humanos, eram seres eternos e praticamente imunes a doenças e feridas, capazes de se tornarem invisíveis, de alcançarem vários lugares quase que instantaneamente e de assumirem atitudes através de seres humanos sem o conhecimento destes.

Também os gregos antigos diziam que seus deuses tinham as mesmas paixões, defeitos e qualidades dos homens, por isso estavam sempre envolvidos em aventuras, características que definem o sentido da palavra mitologia, do ponto de vista da fabulosa história dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade greco-romana. Os próprios gregos moldaram seus deuses e, ao contrário das outras mitologias, tinham deuses humanizados, fazendo do céu um ambiente familiar. As divindades principais habitavam o Monte Olimpo e formavam a corte de ZEUS (Júpiter), o deus supremo. Além das muitas divindades secundárias, havia também os semideuses, deuses ilegítimos, filhos de deuses com mortais, que por isso dependiam dos deuses. Dentro desses conceitos religiosos bem diversificados, cabia uma verdadeira democracia de pensamentos, desde os materialistas até os que acreditavam no julgamento após a morte. Esta evolução ocorreu durante cerca de 25 séculos, desde o segundo milênio a. C., até o fechamento das escolas pagãs pelo imperador bizantino Justiniano (329).

A enorme abrangência da mitologia grega, vai desde os primeiros deuses e as sangrentas guerras de Tróia e Tebas, a histórias como à infância de HERMES e o sofrimento de DEMÉTER por PERSÉFONE. Seus deuses representavam forças e fenômenos da natureza e também impulsos e paixões humanas. Moravam no Monte Olimpo e de lá controlavam tudo o que se passava entre os mortais. O Panteão Grego incluía semideuses, heróis e inúmeras entidades, como os sátiros e ninfas, espíritos dos bosques, das águas ou das flores.

A Mitologia Grega se tornou completamente desenvolvida em torno do VIII-VII século a. C., quando três coleções clássicas de mitos surgiram: a Teogonia de Hesíodo e a Illiada e a Odisséia, ambas de Homero. Embora os primeiros dados existentes sobre a religião grega partam dessas lendas, é possível rastrear a evolução de crenças antecedentes. No início da filosofia grega, no século VI a. C., enquanto alguns pensadores, como Heráclito, os Sofistas e Aristófanes, ironizavam as crenças populares, outros, como Platão e Aristóteles, desenvolviam conceitos científicos sobre a divindade, porém isso não afetava a religiosidade popular, especialmente evidenciada nos festejos tradicionais.

Segundo as crenças gregas, no princípio havia um grande vazio chamado Caos e todas as coisas estavam mistas umas às outras. Sobre esta confusão reinava a Noite ou Nyx e em algum momento surgiu o Érebo ou Inferno, de um lugar desconhecido deste reinado.  O Destino, as Moiras/Parcas, divindades cegas, nascidas do Caos e da Noite, eram quem estabeleciam tudo, inclusive os deuses estavam submetidos a elas. Mas ainda havia apenas o silêncio e o vazio até que nasceu Amor, produzindo um início de ordem. Da união de Érebo e Noite nasceram Éter, a luz celestial, e Dia ou Hélios, e então apareceu a terra, a mãe universal chamada de GAIA. GAIA, por si só, gerou URANO, o Céu, e ele próprio se uniria para gerarem os 12 Titãs, dentre eles Mnemósine, Atlas, Oceano, RÉIA e CRONOS, o mais novo de todos, os Ciclopes e os Hecatônquiros. Segundo a mitologia grega, quando GAIA deu origem aos Titãs, eles fizeram das montanhas gregas, inclusive as do Monte Olimpo, seus tronos, pois eram tão grandes que mal cabiam na crosta terrestre. Os Titãs, eram liderados por CRONOS (Saturno) que desposou RÉIA (Cibele) e entre seus filhos estava ZEUS (Júpiter), que destronou seu pai, e tornou-se senhor dos deuses. Organizou os olímpianos, uma plêiade de doze deuses principais que habitavam o Monte Olimpo, sucessores dos Titãs, formando uma sociedade que era classificada quanto à autoridade e poder. Ele deu o mar a POSEIDON e o inferno a HADES, seus irmãos, e passou a reinar do Monte Olimpo. Os Titãs revoltaram-se contra os deuses e tentaram alcançar o céu, mas foram fulminados por ZEUS.

Os olímpicos eram ZEUS, AFRODITE, APOLO, ARES, ARTÊMIS, ATENA, DEMÉTER, HEFESTO, HERA, HERMES, HÉSTIA e POSEIDON, sendo ZEUS (Júpiter) o chefe, senhor de todos os estados, o pai espiritual dos todos os mortais e imortais. HERA (Juno), sua esposa, era a rainha do paraíso e a guardiã do casamento. HEFESTO  ou HEFAÍSTO (Vulcano), deus do fogo e das artes manuais. APOLO (Febo) era o deus da luz, da poesia e da música e ARES (Marte) o deus da guerra. ATENA (Minerva), deusa da sabedoria e da guerra, ARTÊMIS (Diana), deusa da caça e dos animais selvagens, AFRODITE (Vênus), deusa do amor, HÉSTIA (Vesta), deusa do coração e da chama sagrada, e DEMÉTER (Ceres) a deusa da agricultura. HERMES (Mercúrio) era o mensageiro dos deuses e senhor das ciências e das invenções, e POSSEIDON (Netuno) o senhor dos mares e oceanos que, junto com sua esposa ANFITRITE, originou um grupo de deuses do mar menos importantes, como as Nereidas e Tritão.

Embora HADES (Plutão), irmão de ZEUS e deus dos infernos, fosse um deus importante dentro do pensamento religioso grego, geralmente não era considerado um olimpiano. Governava o sombrio mundo subterrâneo com sua esposa PERSÉFONE (Proserpina ou Cora), um lugar escuro e triste, nas profundezas da  terra, povoado pelos espíritos das pessoas que morriam. Outro Deus que originalmente não era tão admirado mas com o tempo tornou-se um dos mais populares, foi DIONÍSIO (Baco), deus do pão e do vinho e do prazer. A ele os gregos devotavam muitos festivais, inclusive os de encenações teatrais. Freqüentemente era acompanhado por um exército de deuses fantásticos, incluindo centauros e ninfas. Os CENTAUROS tinham a cabeça e o torso humanos e o corpo de cavalo. As belas e charmosas ninfas assombravam os bosques e florestas.

Outros Deuses e Titãs menores e de importância também entre os romanos foram: ALOADES: os gigantes que desafiaram o Olimpo, EIRENE (Pax): a personificação da paz para os gregos e romanos; EOS (Aurora): a deusa que anunciava à Terra a chegada do Sol; EROS (Amor): notável pela história de seu amor pela mortal Psique; GAIA a deusa Mãe primordial, geradora de todos os deuses, a deusa-terra; HERMAFRODITA: o filho de HERMES (Mercúrio) e AFRODITE (Vênus);HIPERION, o titã-Sol; NIKE (Victoria): a deusa grega da vitória; PANDORA: doadora de talentos divinos ou de todos os males da humanidade; PROMETEU: defensor do bem estar dos homens; TÂNATOS: o deus da morte; TÊMIS (Justitia): a deusa da Justiça; SELENE (também Diana): uma das deusas da tríade da Lua; (Fauno ou Silvano): deus das florestas; ASCLÉPIO (Esculápio), deus greco-romano da medicina; TÉTIS: a titânida e a neta, uma Nereida mãe de AQUILES; NINFAS: guardadoras da natureza; MOIRAS (Parcas): as deusas responsáveis pelos destinos dos deuses e homens; as MUSAS: representantes das artes e das ciências, invocada pelos poetas em busca de inspiração e sucesso. E mais ADÔNIS, CRONOS (Saturno), comandante dos Titãs, HÉLIO, deus-sol e o olho do mundo, e URANO, a personificação do céu.

Além dos Deuses também eram importantes dentro do complexo mitológico os Heróis como AQUILES, HÉRCULES, JASÃO, PERSEU, TESEU e ULISSES, os animais mitológicos CENTAURO, HARPIAS, PÉGASO e QUIMERA e as lendas de ARIADNE, MEDÉIA e SÍSIFO.

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Observação: O Monte Olimpo, também chamado de Ólimpos, e em mapas modernos, Óros Ólimbos, é a mais alta montanha da Grécia, com o cume Mitikas, que em grego quer dizer nariz, como seu pico mais alto, na altitude de 2.919 metros. Está localizado na cidade de Litochoro, que acabou também por receber o nome Cidade dos Deuses, devido à sua localização próxima à base do monte, e a cerca de 100 km de distância de Salônica, segunda maior cidade da Grécia, e próximo ao Mar Egeu. Na mitologia grega, era a morada dos Doze Deuses do Olimpo, os principais deuses do panteão grego. Os gregos pensavam nisto como uma mansão de cristais onde seus deuses habitavam.