Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias
(1803 - 1880)
O mais famoso militar da história brasileira, nascido na fazenda de Tuquaru, perto da vila de Porto da Estrela, hoje Duque de Caxias, RJ, o patrono do exército brasileiro. Filho, neto e irmão de militares, cadete desde os 5 anos, um costume das famílias militares da época. Freqüentou a Academia Militar (1818-1821), fez carreira no exército comandando as tropas que reprimiam os levantes regionais contra o Império, as rebeliões liberais, as revoluções separatistas durante a regência e o segundo reinado, e as guerras nas fronteiras. Ainda tenente, participou da campanha pelo reconhecimento da independência na Bahia, conquistada dia 2 de julho (1823). Capitão, comandou a linha de frente brasileira (1825) na Guerra Cisplatina. Major, chefiou o batalhão do imperador até sua dissolução (1831), abraçando a causa do imperador, apesar da opinião pública contrária. Apoiou Feijó, ministro e depois regente do Império, na criação da Guarda Nacional. Combateu no Rio Grande do Sul a guerra separatista dos Farrapos e, no Maranhão, os focos de resistência dos Balaios (1839). Promovido a brigadeiro (1841), recebeu o título de Barão de Caxias. Comandante das armas da corte, reprimiu a Revolução Liberal (1842), em São Paulo e em Minas, e dirigiu novamente as tropas imperiais contra a Guerra dos Farrapos (1843). Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de São Bento de Avis, com o título de Conde de Caxias e promovido a marechal-de-campo (1851). O imperador o escolheu senador pelo Rio Grande do Sul (1845). Durante as guerras platinas, foi o comandante-chefe das tropas brasileiras e exerceu a função de presidente da Província gaúcha. No ano seguinte, foi novamente promovido, agora a tenente-general e Marquês de Caxias. Nomeado Ministro da Guerra (1855), acumulou o cargo com o de presidente do Conselho de Ministros (1856-1857), o equivalente a primeiro-ministro no parlamentarismo brasileiro, e voltando a exercê-lo (1861-1862). Comandou as forças brasileiras na Guerra do Paraguai (1866). Venceu batalhas sucessivas e conquistou Assunção, em janeiro (1869), fato que define a vitória brasileira na guerra. Nesse mesmo ano, recebe o maior título de nobreza concedido pelo imperador, o de Duque de Caxias. Após longo tempo, Caxias voltou à vida política e foi nomeado conselheiro de estado (1870). Assumiu a chefia de governo em 25 de junho (1875), como presidente do conselho e ministro da Guerra. Coube-lhe a tarefa de encerrar a Questão Religiosa com a concessão da anistia aos bispos. Retirou-se então para sua fazenda de Santa Mônica, na vila de Desengano, hoje Barão de Juparanã, distrito do município de Valença, RJ, onde faleceu em 7 de maio (1880). Foi o único brasileiro a atingir o ducado e a merecer a grã-cruz da Ordem de Pedro I, fundador do Império do Brasil. A república continuou a venerar sua memória. Exército consagrou a data de nascimento de Caxias (1923) o como Dia do Soldado, e por ocasião do sesquicentenário de seu nascimento (1953), instituiu a Medalha do Pacificador. O governo proclamou-o patrono do Exército brasileiro (1962). Sabe-se, porém, por descendentes de seus comandados, ter sido ele um militar de procedimentos por vezes escusos e desumanos para conseguir suas vitórias, e impiedoso e insensível com os inimigos, principalmente os já subjugados