Padre Leonardo Nunes
( ? - 1554)
Jesuíta português nascido em Vila de S. Vicente, da Beira, diocese da Guarda, em data ignorada, de espírito apostólico resoluto e incansável e que teve papel preponderante na libertação de índios escravizados pelos portugueses, em meio a muitas reações adversas, nos princípios da colonização brasileira. Ingressou na Cia. de Jesus, no Colégio de Coimbra (1548) e indicado para missionário no Brasil (1549), chegou como membro da missão dirigida pelo padre provincial Manuel da Nóbrega (1517-1570), na comitiva colonizadora do governador geral Tomé de Souza (1505 - 1573). Trabalhou inicialmente na Bahia, e depois seguiu para São Vicente, em companhia do padre Diogo Jacome, a fim de iniciar catequese dos índios. Em São Vicente fundou um colégio/seminário, o primeiro da povoação, onde eram ensinadas normas eclesiásticas, catecismo, latim e português. Aprendeu a falar tupi, converteu ao cristianismo numerosos índios, especialmente os carijós de Santa Catarina, e reconduziu às práticas cristãs muitos colonos que haviam desviado-se destes princípios como o famoso proprietário de terras e caçador de índios Pedro Correia, que arrependido doou suas propriedades para a ordem, ingressou na Companhia de Jesus, e morreu martirizado. Construiu a Igreja São João Batista e liderou muitas negociações conflitantes entre índios e colonos por todo o sul do Brasil, de São Vicente ao rio da Prata. Esteve no porto de Laguna (1552) com a caravela de Pedro Rossel, a pedido de Tomé de Souza (1505 - 1573), para recolher um grupo de náufragos espanhóis de Juan Salazar, da malograda expedição de Diego Sanábria. Inclusive ganhou dos índios a alcunha de Abarebebê, que em tupi significa  padre voador, por causa desta sua excepcional faculdade de locomover-se rápida e prontamente, através de uma região tão primitiva e inóspita. Foi escolhido para ir a Roma apresentar um balanço à companhia sobre as atividades catequéticas brasileiras e trazer as enfim definidas, Constituições da Companhia de Jesus. Quando os jesuítas começaram a trabalhar no Brasil, ainda não estavam definidas essas normas. Embarcando em Santos, infelizmente o navio em que viajava não resistiu a força de uma tempestade e naufragou no dia 30 de junho (1554) resultando em sua morte por afogamento, juntamente com muitos membros da tripulação e outros passageiros. E assim Abarebebê tornou-se a primeira vítima da Companhia de Jesus do período de evangelização do Brasil. Considerado o primeiro apóstolo do Estado de São Paulo e o primeiro encarregado do indígena catarinense, de sua autoria restam duas cartas, ambas datadas de São Vicente (1551), uma das quais foi publicada em tradução italiana, em Veneza (1559).




A  N  E  X  O

Ação Jesuítica

(Condensado da SIMPÓSIO - http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/EncReg/EncSC/MegaHSC/SCcolonial/91sc0101.htm)

1- A Companhia de Jesus
A ordem dos jesuítas, denominada Companhia de Jesus, foi fundada (1534) por um ex-militar espanhol Iñigo López de Loyola, o Santo Inácio de Loyola (1491-1556), e se tornou nos séculos seguintes, um fenômeno religioso notável na propagação da fé da Igreja católica no mundo colonial espanhol e português, como ainda de ativismo anti-protestante nos países europeus. Bastante tradicional, atuou com independência em relação à hierarquia episcopal local. Seu comando central ficava em Roma, sob a chefia de um Geral da Companhia, onde também funcionava o arquivo central da Ordem, com o registro e detalhes de suas missões. Dedicada às missões e ao ensino, a atividade da ordem dos jesuítas alcançou, no século XVIII, um poderoso prestígio religioso capaz de colocar em risco a governabilidade dos colonizadores. Seu tradicionalismo e conseqüente resistência às políticas inovadoras, especialmente de ensino da época custou-lhe a supressão da ordem em diferentes países e respectivas colônias. Em Portugal, por exemplo, o ministro Marquês de Pombal, expulsou os jesuítas do país (1759) para poder introduzir suas reformas, especialmente na modernização da Universidade de Coimbra. Também houve jesuítas que desistiram da Ordem e puderam permanecer como clérigos religiosos na ativa. Reações políticas também levaram os jesuítas a serem expulsos da Espanha, Suíça e outras países, até que a Igreja de Roma com o papa Clemente XIV (1705-1774), diante das pressões de governantes e do avanço de outras alternativas de práticas de cristãs viu-se constrangida a suprimir a Ordem (1773) em toda a cristandade. O espírito jesuíta não morreu e quatro décadas depois, durante o Congresso de Viena (1814), a Ordem foi reativada. Embora sem a força político-religiosa de antes, os jesuítas puderam voltar às suas atividades e com o tempo e, ao menos, recuperaram seu prestígio no campo do ensino.

2 - Os jesuítas no Brasil
Quando os jesuítas chegaram ao Brasil (1549), desembarcando na capital de São Salvador com o primeiro governador geral da colônia, vinham com o programa de abrir colégios em todas as povoações onde residissem, para prepararem as futuras gerações. Fundavam o primeiro colégio na Bahia, o Colégio dos Meninos de Jesus, e seguindo para o Sul, no mesmo ano fundaram um outro em São Vicente com o Padre Nunes. Era objetivo do padre Manuel da Nóbrega (1517-1570), o jesuíta superior no Brasil, fundar um nova unidade a altura de Santa Catarina (1551), após ouvir os relatos do Pe. Leonardo Nunes sobre sua descida pelo litoral até a costa catarinense. Entretanto dificuldades econômicas impediram esta missão e assim foi protelada a destinação do Padre Leonardo Nunes para os carijós de Santa Catarina. Esse procedimento trouxe imensos prejuízos para os índios carijós, que ficaram sem a prevista assistência religiosa, apesar do interesse dos mesmos que viam nos jesuítas seus defensores contra a agressividade dos colonizadores. Pe. Manuel da Nóbregacriou notável missão no planalto de Piratininga, e esta penetração para o interior desviou as atenções iniciais que eram para a costa sul. Nesta iniciativa estava o mais famoso jesuíta no Brasil, o padre espanhol José de Anchieta (1534-1597), conhecido como o Apóstolo do Brasil, fundador da cidade de São Paulo (1554).