Ação Jesuítica
(Condensado da SIMPÓSIO - http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/EncReg/EncSC/MegaHSC/SCcolonial/91sc0101.htm)
1- A Companhia de Jesus
A ordem dos jesuítas, denominada
Companhia de Jesus, foi fundada (1534) por um ex-militar espanhol Iñigo
López de Loyola, o Santo Inácio de Loyola
(1491-1556), e se tornou nos séculos seguintes, um fenômeno
religioso notável na propagação da fé da Igreja
católica no mundo colonial espanhol e português, como ainda
de ativismo anti-protestante nos países europeus. Bastante tradicional,
atuou com independência em relação à hierarquia
episcopal local. Seu comando central ficava em Roma, sob a chefia de um
Geral da Companhia, onde também funcionava o arquivo central da
Ordem, com o registro e detalhes de suas missões. Dedicada às
missões e ao ensino, a atividade da ordem dos jesuítas alcançou,
no século XVIII, um poderoso prestígio religioso capaz de
colocar em risco a governabilidade dos colonizadores. Seu tradicionalismo
e conseqüente resistência às políticas inovadoras,
especialmente de ensino da época custou-lhe a supressão da
ordem em diferentes países e respectivas colônias. Em Portugal,
por exemplo, o ministro Marquês de Pombal,
expulsou os jesuítas do país (1759) para poder introduzir
suas reformas, especialmente na modernização da Universidade
de Coimbra. Também houve jesuítas que desistiram da Ordem
e puderam permanecer como clérigos religiosos na ativa. Reações
políticas também levaram os jesuítas a serem expulsos
da Espanha, Suíça e outras países, até que
a Igreja de Roma com o papa Clemente
XIV (1705-1774), diante das pressões de governantes
e do avanço de outras alternativas de práticas de cristãs
viu-se constrangida a suprimir a Ordem (1773) em toda a cristandade. O
espírito jesuíta não morreu e quatro décadas
depois, durante o Congresso de Viena (1814), a Ordem foi reativada. Embora
sem a força político-religiosa de antes, os jesuítas
puderam voltar às suas atividades e com o tempo e, ao menos, recuperaram
seu prestígio no campo do ensino.
2 - Os jesuítas no
Brasil
Quando os jesuítas chegaram
ao Brasil (1549), desembarcando na capital de São Salvador com o
primeiro governador geral da colônia, vinham com o programa de abrir
colégios em todas as povoações onde residissem, para
prepararem as futuras gerações. Fundavam o primeiro colégio
na
Bahia, o Colégio dos Meninos de Jesus, e seguindo para o
Sul, no mesmo ano fundaram um outro em São Vicente com o Padre Nunes.
Era objetivo do padre Manuel da Nóbrega
(1517-1570), o jesuíta superior no Brasil, fundar um nova unidade
a altura de Santa Catarina (1551), após ouvir os relatos do Pe.
Leonardo
Nunes sobre sua descida pelo litoral até a costa catarinense.
Entretanto dificuldades econômicas impediram esta missão e
assim foi protelada a destinação do Padre Leonardo Nunes
para os carijós de Santa Catarina. Esse procedimento trouxe imensos
prejuízos para os índios carijós, que ficaram sem
a prevista assistência religiosa, apesar do interesse dos mesmos
que viam nos jesuítas seus defensores contra a agressividade dos
colonizadores. Pe. Manuel da Nóbregacriou
notável missão no planalto de Piratininga, e esta penetração
para o interior desviou as atenções iniciais que eram para
a costa sul. Nesta iniciativa estava o mais famoso jesuíta no Brasil,
o padre espanhol
José de Anchieta
(1534-1597), conhecido como o Apóstolo do Brasil, fundador
da cidade de São Paulo (1554).