Atriz,
escritora e e militantes de causas sociais brasileira nascida em São
Paulo, uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores, ao assinar a ata
de reunião que deu origem ao partido (1980), com intelectuais como
Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda, Apolônio
de Carvalho, Paulo Freire e Antonio Candido. Foi a quinta
filha do casal de imigrantes italianos Afra Yole Scarmagnan e Vicenzo
Abramo, empresário da área têxtil e sócio
do conde Francisco Matarazzo em uma fábrica de tecidos
no final da primeira década do século, mas que morreu falido
(1949). Tinha seis irmãos, entre eles o jornalista Cláudio
Abramo (1923-1987) e o artista plástico Lívio Abramo
(1903-1992) e foi criada num casarão no bairro do Ipiranga,
em São Paulo. Aos 21 anos, ela foi trabalhar no escritório
de uma fábrica e em seu primeiro emprego teve sua primeira demissão
por motivos ideológicos, o que deu início a sua militância
política. O trabalho seguinte foi no Sindicato dos Comerciários,
de onde também foi expulsa (1937), por criticar duramente a política
trabalhista do governo Vargas. Foi com a irmã Beatriz para
a Itália (1938) para fazer um tratamento de saúde, onde viveu
por doze anos (1938-1950) e sofreu as agruras da época da Segunda
Guerra Mundial. De volta ao Brasil, sem poder ter filhos em conseqüência
do antigo tratamento de saúde na Itália, abdicou do casamento
e, durante um tempo, trabalhou como jornalista da agência de notícias
Ansa, sob o comando do jornalista Giannino Carta. Ao mesmo
tempo, atuava em grupos de teatro amador voltados à colônia
italiana e estreou como convidada nos palcos, aos 47 anos, na peça
Eles Não Usam Black-Tie (1958), a primeira montagem de Gianfrancesco
Guarnieri, contracenando com os atores Milton Gonçalves
e Eugenio Kusnet, no papel de Romana, personagem que morava
num morro do Rio de Janeiro. No dia da estréia, foi aplaudida de
pé pelo público do Teatro de Arena, no centro da cidade.
E, no mesmo ano, abocanhou o prêmio da Associação dos
Críticos Teatrais de São Paulo e o Prêmio Saci, como
melhor atriz coadjuvante. Seu trabalho foi muito aclamado pela crítica
e ela ganhou um total cinco prêmios dos mais importantes da época,
entre eles esse Saci A partir daí, começa uma
carreira em que acumulou aplausos e premiações, atuando em
23 peças, 14 filmes, 27 novelas nas TVs Excelsior, Tupi, Record,
Globo e Manchete, 21 especiais de TV, sem contar a participação
em mais de 40 teleteatros. No cinema, estreou em Vereda da Salvação
(1964), de Anselmo Duarte. No mesmo ano, foi convidada para participar
da inauguração de uma nova emissora carioca, a TV Globo.
Treze anos mais tarde, a emissora seria a responsável por sua maior
decepção. Eleita presidente do Sindicato dos Artistas de
São Paulo, defendendo melhores condições de trabalho
para a categoria, de uma hora para outra, sua personagem na novela Pai
Herói morreu. Daí em diante, ficou "esquecida"e, entrando
no ostracismo profissional, abraçou a luta sindical. Passou a presidir
o sindicato dos artistas em São Paulo (1978) e saiu em defesa dos
direitos trabalhistas da classe, enfrentando a própria emissora
na qual trabalhava, a TV Globo, abraçando com os companheiros uma
luta pela aprovação da lei que regulamentaria a profissão
de ator. Depois de muito esforço, a lei foi aprovada. Teve uma forte
participação na vida política do país e foi
uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), quando era presidente
do Sindicato dos Artistas e ainda integrou a equipe da prefeita Luíza
Erundina. Sofria de problemas do coração e após
internada por uma semana na UTI do Hospital Modelo, no bairro da Liberdade,
em São Paulo, morreu aos 93 anos, em conseqüência de
uma embolia pulmonar, teve o velório realizado no Teatro Municipal
de São Paulo e foi enterrada no cemitério Getsemani, bairro
do Morumbi, Zona Oeste. Sua última participação na
televisão foi na minissérie global O Tempo e o Vento
(1985), onde interpretou Bibiana Cambará. Em público
sua última aparição foi no dia 31 de março
(2004), durante um evento internacional de educação, realizado
no auditório do Anhembi, onde foi homenageada por sua luta contra
a ditadura militar.
Figura copiada do site da FOLHA
IMAGEM:
Adriana
Elias-05.03.2001/Folha Imagem