Lélia Abramo
(1910 - 2004)
 
Atriz, escritora e e militantes de causas sociais brasileira nascida em São Paulo, uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores, ao assinar a ata de reunião que deu origem ao partido (1980), com intelectuais como Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda, Apolônio de Carvalho, Paulo Freire e Antonio Candido. Foi a quinta filha do casal de imigrantes italianos Afra Yole Scarmagnan e Vicenzo Abramo, empresário da área têxtil e sócio do conde Francisco Matarazzo em uma fábrica de tecidos no final da primeira década do século, mas que morreu falido (1949). Tinha seis irmãos, entre eles o jornalista Cláudio Abramo (1923-1987) e o artista plástico Lívio Abramo (1903-1992) e foi criada num casarão no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Aos 21 anos, ela foi trabalhar no escritório de uma fábrica e em seu primeiro emprego teve sua primeira demissão por motivos ideológicos, o que deu início a sua militância política. O trabalho seguinte foi no Sindicato dos Comerciários, de onde também foi expulsa (1937), por criticar duramente a política trabalhista do governo Vargas. Foi com a irmã Beatriz para a Itália (1938) para fazer um tratamento de saúde, onde viveu por doze anos (1938-1950) e sofreu as agruras da época da Segunda Guerra Mundial. De volta ao Brasil, sem poder ter filhos em conseqüência do antigo tratamento de saúde na Itália, abdicou do casamento e, durante um tempo, trabalhou como jornalista da agência de notícias Ansa, sob o comando do jornalista Giannino Carta. Ao mesmo tempo, atuava em grupos de teatro amador voltados à colônia italiana e estreou como convidada nos palcos, aos 47 anos, na peça Eles Não Usam Black-Tie (1958), a primeira montagem de Gianfrancesco Guarnieri, contracenando com os atores Milton Gonçalves e Eugenio Kusnet, no papel de Romana, personagem que morava num morro do Rio de Janeiro. No dia da estréia, foi aplaudida de pé pelo público do Teatro de Arena, no centro da cidade. E, no mesmo ano, abocanhou o prêmio da Associação dos Críticos Teatrais de São Paulo e o Prêmio Saci, como melhor atriz coadjuvante. Seu trabalho foi muito aclamado pela crítica e ela ganhou um total cinco prêmios dos mais importantes da época, entre eles esse Saci  A partir daí, começa uma carreira em que acumulou aplausos e premiações, atuando em 23 peças, 14 filmes, 27 novelas nas TVs Excelsior, Tupi, Record, Globo e Manchete, 21 especiais de TV, sem contar a participação em mais de 40 teleteatros. No cinema, estreou em Vereda da Salvação (1964), de Anselmo Duarte. No mesmo ano, foi convidada para participar da inauguração de uma nova emissora carioca, a TV Globo. Treze anos mais tarde, a emissora seria a responsável por sua maior decepção. Eleita presidente do Sindicato dos Artistas de São Paulo, defendendo melhores condições de trabalho para a categoria, de uma hora para outra, sua personagem na novela Pai Herói morreu. Daí em diante, ficou "esquecida"e, entrando no ostracismo profissional, abraçou a luta sindical. Passou a presidir o sindicato dos artistas em São Paulo (1978) e saiu em defesa dos direitos trabalhistas da classe, enfrentando a própria emissora na qual trabalhava, a TV Globo, abraçando com os companheiros uma luta pela aprovação da lei que regulamentaria a profissão de ator. Depois de muito esforço, a lei foi aprovada. Teve uma forte participação na vida política do país e foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), quando era presidente do Sindicato dos Artistas e ainda integrou a equipe da prefeita Luíza Erundina. Sofria de problemas do coração e após internada por uma semana na UTI do Hospital Modelo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, morreu aos 93 anos, em conseqüência de uma embolia pulmonar, teve o velório realizado no Teatro Municipal de São Paulo e foi enterrada no cemitério Getsemani, bairro do Morumbi, Zona Oeste. Sua última participação na televisão foi na minissérie global O Tempo e o Vento (1985), onde interpretou Bibiana Cambará. Em público sua última aparição foi no dia 31 de março (2004), durante um evento internacional de educação, realizado no auditório do Anhembi, onde foi homenageada por sua luta contra a ditadura militar.

Figura copiada do site da FOLHA IMAGEM:
Adriana Elias-05.03.2001/Folha Imagem