Lélia Gonzalez
(1935 - 1994)
Intelectual,
política, professora e antropóloga brasileira nascida em
Belo Horizonte, Minas Gerais, histórica no movimento feminista brasileiro,
por sua luta no combate à violência contra a mulher, notadamente
a violência sexual e doméstica. Filha de um ferroviário
negro e mãe de origem indígena, e penúltima de dezoito
irmãos, migrou para o Rio de Janeiro (1942). Pioneira nos cursos
sobre Cultura Negra, com destaque para o 1º Curso de Cultura Negra
na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, doutorou-se em Antropologia
Social, em São Paulo, e dedicou-se a pesquisas sobre a temática
de gênero e etnia. Militante do movimento negro, teve fundamental
atuação em defesa da mulher negra, participando do Instituto
de Pesquisas das Culturas Negras e do Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga.
No II Congresso da Mulher Paulista em Valinhos, foi criado o SOS Mulher,
sendo também criados serviços semelhantes em outros estados
do país, entidades autônomas que tinham como objetivo atender
as mulheres vítimas de violência, com um serviço voluntário
de advogadas e psicólogas. Como conseqüência do movimento
feminista, foram criadas, inicialmente em São Paulo (1985), as Delegacias
de Defesa da Mulher. A Constituição de 88 passou a
reconhecer a violência doméstica e a necessidade de o Estado
criar medidas para coibi-la. Foi suplente de deputado federal (1982) e
de deputado estadual (1986). Participou da primeira composição
do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, o CNDM (1985-1989). Grande
incentivadora das tradições afro-brasileiras, pertenceu ao
Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombos, que
fazia seu carnaval atendo-se às raízes do velho samba carioca
e foi uma das fundadoras do grupo Olodum, de Salvador, Bahia, e faleceu
vítima de problemas cardíacos, no Rio de Janeiro, aos 59
anos. Atuou nas universidades brasileiras por mais de 30 anos, até
seu falecimento. Em seus últimos dias, foi eleita, por reconhecimento
de sua competência, Chefe do Departamento de Sociologia, da Pontifícia
Universidade Católica, a PUC, Rio de Janeiro. Em seus escritos destacaram-se
os livros Lugar de Negro (1982), com Carlos Hasenbalg, e Festas
Populares no Brasil, premiado na Feira de Frankfurt, mas também
produziu muitos papers, comunicações, seminários
e panfletos político-sociais.