Consagrado matemático francês nascido em Paris, durante a
Primeira Guerra Mundial, o primeiro matemático da França
a receber a Medalha Fields (1950), o mais importante prêmio
internacional na área da matemática, e inventor de uma teoria
que equaciona os mais complexos fenômenos, a Teoria das Distribuições,
uma nova noção de função generalizada, motivado
pela função delta de Dirac, originada da física
teórica. Filho de um cirurgião e sobrinho do Professor Robert
Debre, fundador da Unicef. Educado no Lycée Janson-de-Sailly
de Paris, onde se destacou em matemática e latim, entrou para a
École Normale Supérieure (1934), para estudar matemática
e ainda bem jovem se tornou altamente politizado. Combateu a opressão
do regime de Josef Stálin (1879-1953), na antiga União
Soviética, e se tornou simpatizante (1936) do soviético Leon
Trotsky (1879-1940), adversário político de Stálin.
Graduado em Mathématiques (1937), casou-se (1938) com Marie-Hélène
Lévy com quem teve um filho, que morreu aos 28 anos, e uma filha.
A ascensão da extrema direita em países europeus e a eclosão
da Segunda Guerra Mundial com o avanço dos regimes nazista e fascista,
levaram o jovem matemático, de origem judaica, a mudar várias
vezes de endereço e até adotar outros nomes para se salvar.
Tornou-se Ph.D. pela Université Louis Pasteur, Strasbourg (1943),
orientado por
Georges Valiron, Ph.D. Université de Paris
(1914). Ensinou na faculdade de ciências de Grenoble (1944-1945)
e depois da guerra foi para Nancy, onde foi professor na faculdade de ciências
local (1945-1953), período em que detalhou sua famosa teoria. Assim
a guerra não o impediu de desenvolver sua obra mais importante,
a
Teoria das Distribuições, publicada em Théorie
des Distributions, Editora Hermann, Paris (1966), uma das grandes revoluções
da matemática do século XX e que lhe deu a medalha Fields,
no International Congress in Harvard (1950). Condecoração
que, como intelectual de esquerda numa época em que essa posição
era fortemente combatida no Ocidente, teve dificuldades para receber, nos
Estados Unidos. Só com ameaças de boicote dos matemáticos
americanos ao evento, e com a intervenção do ex-presidente
Harry
Truman (1884-1972) é que ele obteve o visto de entrada. Voltou
para Paris (1953) onde seguiu ensinando, inclusive sendo professor da École
Polytechnique (1959-1980) e na Université de Paris VII (1980-1983).
O matemático pacifista não se contentou em dedicar sua vida
só à pesquisa científica. Além de brilhante
matemático, foi um ferrenho defensor dos direitos humanos em várias
partes do mundo. Opôs-se à Guerra do Vietnã, acusou
seu país de desrespeitar direitos humanos em suas colônias
na Ásia e África, que reivindicavam independência política,
e usou seu prestígio como matemático para protestar ou negociar
pelos perseguidos em regimes ditatoriais. Participou ativamente dos protestos
contra a invasão do Afeganistão pelos soviéticos e
contra o domínio russo da Chechênia, e intercedeu pessoalmente
por matemáticos presos na antiga URSS, Tchecoslováquia e
na América Latina. Poliglota, em visita ao Brasil, ministrou palestras
em português, e aproveitou esta passagem para coletar borboletas
tropicais para sua coleção, considerada uma das maiores do
mundo, com cerca de 20 mil exemplares, e na qual chegou a classificar várias
novas espécies. Publicou livros como Pour sauver l’Université
(1983), Méthodes mathématiques pour les sciences physiques
(1987) e Un mathématicien aux prises avec le siècle
(1997), uma autobiografia e morreu em Paris, aos 87 anos. Considerado não
só um matemático brilhante, mas um ídolo da História
recente em seu país, foi homenageado na França por diversas
entidades educacionais e científicas. Recebeu prêmios da Académie
des Sciences de Paris (1955 / 1964 / 1972), sendo eleito seu membro (1972),
e no exterior, com diversos diplomas honorários, incluindo das universidades
da Humboldt (1960), Bruxelas (1962), Lund (1981), Tel-Aviv (1981), Montreal
(1985) e Atenas (1993).
Figura
copiada do site TURNBULL WWW SERVER:
http://www-history.mcs.st-andrews.ac.uk/