Laudelina de Campos Melo
(1904 - 1991)
Líder
feminista brasileira nascida em Poços de Caldas, Estado de Minas
Gerais, incansável lutadora pelos direitos do negro e das
empregadas doméstica no Brasil. Aos sete anos de idade, começou
a trabalhar como empregada doméstica e passou por uma infância
de exploração, discriminação e racismo, o que
levou a desenvolver dentro de si a indignação com a desigualdade
no país. Com 16 anos começou a atuar em organizações
de mulheres negras e foi presidenta do Clube 13 de Maio, que promovia atividades
recreativas e políticas. Foi para Santos aos 20 anos, onde
se tornou ativista da Frente Negra Brasileira. Passou a atuar em movimentos
populares e sua militância ganhou um peso político e reivindicatório,
com sua ligação ao Partido Comunista Brasileiro. Criou uma
Associação das Empregadas Domésticas (1936), fechada
seis anos depois (1942), quando atividades políticas foram proibidas
em função do Estado Novo. Mudou-se para Campinas, onde se
integrou ao movimento negro da cidade e denunciou que as empregadas negras
eram preteridas, protestando contra os anúncios racistas do jornal
Correio Popular. Fundou a Associação Profissional Beneficente
das Empregadas Domésticas (1961), para defesa dos direitos das empregadas
domésticas e intermediação de conflitos entre patroas
e empregadas, uma vez que não havia legislação trabalhista
para a categoria. Sua atuação foi exemplo para que fossem
criadas associações no Rio de Janeiro (1962) e em São
Paulo (1963) e que deu origem ao Sindicato dos Trabalhadores Domésticos
(1988). atuou nas universidades brasileiras por mais de 30 anos, até
seu falecimento. Em seus últimos dias, foi eleita, por reconhecimento
de sua competência, Chefe do Departamento de Sociologia, da Pontifícia
Universidade Católica - PUC, Rio de Janeiro. Faleceu em Campinas
como um símbolo da luta por tornar visível o trabalho doméstico,
denunciar sua desvalorização e buscar conquistar direitos
trabalhistas e dignidade, explicitando a situação de profunda
pobreza, racismo e machismo na qual vivem milhares de mulheres negras em
todo o país.