José Paulo Paes
(1926 - 1998)
Intelectual brasileiro nascido em Taquaritinga, SP, um dos mais refinados intelectuais do País, tradutor respeitado de Seféris e autor de quase 30 livros de poesia. Estudou química industrial em Curitiba e ligou-se à Geração de 1945 e escreveu na revista Joaquim, editada no Paraná. Aproximou-se também da Poesia Concreta em sua fase inicial e publicou seu primeiro livro, O Aluno (1947). Esse livro de estréia foi profundamente marcado pela influência da sintaxe drummondiana. Numa carta enviada ao colega, Drummond o aconselhou a ler poetas de outras línguas para se livrar da dicção poética de seus próximos, conselho que ele aceitou, tornando-se o grande divulgador da obra de poetas como Ungaretti. A partir daí começou a escrever com regularidade para diversos jornais e periódicos (1948). Autodidata, aprendeu  grego moderno por intermédio de um curso de Linguaphone para produzir uma antologia de poesia grega, que lhe custou três anos de trabalho, e lançar uma versão definitiva dos poemas de Kaváfis. Casado com a professora de dança Dora, a quem dedicou poemas em seu segundo livro, Cúmplices (1951), morou em Santo Amaro, numa casa freqüentada pelos maiores intelectuais de São Paulo. Toda sua obra poética foi reunida sob o título Um por todos (1986). Dirigiu uma oficina de tradução de poesia na UNICAMP (1987) e foi indicado para o Prêmio Multicultural Estadão (1998). Comemorou seus 50 anos de atividade poética lançando o livro Os Perigos da Poesia e Outros Ensaios, Editora Topbooks (1997). Morreu  aos 72 anos, a 9 de outubro, vítima de edema pulmonar agudo, no Hospital Beneficência Portuguesa, e seu corpo foi levado para o Crematório da Vila Alpina. Colaborador habitual do jornal Estado de São Paulo, jamais deu sinais de desânimo, mesmo quando teve sua perna esquerda amputada (1985). O drama foi tratado sem tristeza no poema Ode à Minha Perna Esquerda.