José Lewgoy
(1920 - 2003)
  Ator brasileiro nascido na cidade de Veranópolis, Rio Grande do Sul, um dos melhores em todos os tempos, respeitado em todo o mundo, que em 54 anos de atividade no cinema nacional, em mais de cem filmes, ficou conhecido pelos seus papéis de vilão que interpretou. Filho de uma estadunidense, Esther, e de um judeu-russo, Isaac, que se conheceram em Nova Iorque, EUA, era o caçula de oito irmãos e só ele nascido no Brasil. Foi educado em Porto Alegre e diplomou-se pela Faculdade de Ciências Político-Econômicas do Rio Grande do Sul, mas nunca exerceu a profissão. Depois de formado, como conhecia muitos idiomas, conseguiu emprego como tradutor na Editora Globo, enquanto começava a atuar. Com outros amigos fundou o Teatro do Estudante do Rio Grande do Sul onde deu seus primeiros passos no palco. Depois atuou no Theatro São Pedro de Porto Alegre e participou da peça O viajante sem bagagem, onde foi assistido por um adido cultural estadunidense, que lhe ofereceu uma bolsa de estudos nos Estados Unidos. Assim foi estudar na Universidade de Yale, onde permaneceu três anos. Um ano antes de se formar em artes dramáticas em Yale, fez sua estréia nas telas com Quando a noite acaba (1948). Quando voltou passou a lecionar no Serviço Nacional de Teatro. Com o filme do gênero musical e comédia chanchada chamado Carnaval de fogo (1949), em cujo elenco também contava Anselmo Duarte, Eliana Macedo, Grande Otelo, Oscarito, Jece Valadão e Wilson Grey, e dirigido por Watson Macedo, iniciou a brilhante fase das Chanchadas da Atlantica, com esses nomes e muitos outros. Ali começou ele sua carreira em cinema, onde fez cento e tantos filmes, no Brasil e em países estrangeiros. Viveu na Europa (1954-1964), principalmente em Paris, onde ficou por dez anos,  mas também morou em Genebra, em Amsterdã, em Roma e em Londres. Na França trabalhou com o documentarista George Rougier e fez filmes com George Marshall e Louis Jourdan, entre outros. Quando voltou ao Brasil (1964), trabalhou no Pasquim e ingressou na televisão, iniciando como apresentador do Jornal de Vanguarda, comandado Fernando Barbosa Lima, na TV Excelsior. Foi um dos destaques no qualificado filme nacional Terra em Transe (1966), de Glauber Rocha. Estreou em telenovelas com O bofe (1972-1973) e Cavalo de Aço (1973), na TV Globo e, em seguida, fez Divinas e maravilhosas (1973-1974) na TV Tupi, onde mas acabou voltando para a Globo, onde participou de mais de vinte novelas, sendo a de maior destaque Dancing Days (1978), vivendo o personagem Horácio Pratini. Na televisão foram 23 novelas, nove minisséries e 14 especiais, sendo a última novela foi a global Força de um desejo (1999), de Gilberto Braga, na qual fez o papel de um banqueiro, enquanto que a última participação na TV foi na minissérie Os Maias, da Rede Globo (2001). Especialista no papel de vilões, participou do elnco de 105 filmes, sendo seu último trabalho no cinema foi no filme Apolônio Brasil, campeão da alegria (2003), de Hugo Carvana, onde mais uma vez viveu um vilão. Morando em um apartamento na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, onde colecionava gravuras, o ator gaúcho morreu aos 82 anos, no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio, de parada cardiorrespiratória, depois de vários dias internado na Unidade Coronariana, e teve seu corpo cremado no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. Dado à boemia, viveu solteiro e sem filhos, mas era muito apegado à sua numerosa família, com muitos irmãos e sobrinhos. e tinha muitos amigos no Brasil e no exterior, como na Ferança, em Portugal, na Itália, nos Estados Unidos e no Japão. Entre vários prêmios ganhou o Kikito de Ouro de Melhor Ator, no Festival de Gramado, por sua atuação em O Ibraim do Subúrbio (1976).

Figura copida de página do OCKTOCK:
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