José Joaquim Cesário Verde
(1855 - 1886)


 Poeta pré-moderno português nascido em Lisboa, mestre de Fernando Pessoa e de Augusto dos Anjos e uma das personalidades mais originais, mais renovadoras, da poesia portuguesa do século XIX. Filho do lavrador dono de uma quinta em Linda-a Pastora e comerciante de uma loja de ferragens na capital, José Anastácio Verde, e de Maria da Piedade dos Santos Verde, foi educado em Lisboa e entrou no Curso Superior de Letras (1873), ano em que publicou seus primeiros poemas no Diário de Notícias. Não concluiu o curso de Letras, mas ainda estudante conheceu e se tornaria amigo de Silva Pinto, Guerra Junqueiro e outros autores. Ocupado com os negócios do pai e com a incompreensão da crítica, nunca chegou a publicar um livro, mas desenvolveu uma significativa produção de poesias, publicadas em jornais. Começou a dar sinais a tuberculose (1877), doença que já lhe tirara o irmão Joaquim Tomás (1882) e a irmã no mesmo ano, e tornou-se mais introspectivo, fechando-se em um crescente retraimento e refugiando-se na vida rural. Notadamente materialista e com uma poesia centrada originalmente no cotidiano português de sua época, sem romantismo e estilo minimamente vinculado aos movimentos culturais de sua época, seu primeiro importante sucesso foi o poema Nós, inspirado nas mortes de seus parentes atacados pela tuberculose e publicado no periódico Ilustração (1884). A leve conotação parnasianista estava na armação aparente de seus versos. Mas essa forma, com seu vocabulário todo extraído da paisagem real, sua capacidade de definir e comunicar com precisão, seu erotismo físico, imediato, tornou-se veículo direto de uma poesia visual, que revalorizava o adjetivo como instrumento plástico de modelagem. Em sua obra visualizou-se uma angustiada denúncia da miséria, da doença e das desigualdades sociais, além de uma certa preocupação com os problemas ambientais. Depois da luta infrutífera para se curar da tuberculose, o poeta morreu em Lumiar, Lisboa, ainda bastante jovem, aos 31 anos de idade. Seus poemas, como Num Bairro Moderno (1877), Petiz (1878) e O Sentimento dum Ocidental (1880), foram reunidos postumamente por Silva Pinto e publicados no O livro de Cesário Verde (1901).