José
María Vargas-Vila
(1860 - 1933)
Pensador,
romancista, jornalista, escritor e poeta latino-americano nascido em Bogotá,
Colômbia, que por causa de seu permanente combate com a pena e com
as armas às ditaduras e tiranias, passou a maior parte da vida no
exílio. Ainda muito jovem alternou a atividade de professor em Ibagué,
Guasca, Anolaima e Bogotá, com sua participação nas
guerras civis como soldado das tropas liberais radicais do colombiano Santos
Acosta (1830-1901). Com a derrota liberal (1885), refugiou-se em Los
Llanos, região nas proximidades do Rio Orinoco, e com a cabeça
a prêmio, logo teve de abandonar o solo pátrio e, banido do
país durante a ditadura do presidente colombiano Rafael Wenceslao
Núñez Moledo (1825-1894), radicou-se na Venezuela, onde
publicou suas primeiras obras, como a coletânea de poemas Pasionarias
(1886) e dirigiu os jornais liberais La federación e fundou
e dirigiu a revista El eco andino e com o médico Diógenes
Arrieta (1848-1897) e o escritor político colombiano Juan
de Dios Uribe (1859-1900), fundou a revista Los Refractarios
(1888). Foi assessor do presidente venezuelano Joaquín Sinforiano
de Jesús Crespo (1841-1898) e como diplomata, soube resolver
com habilidade um complicado litígio com a Grã-Bretanha.
Após uma viagem à Europa, foi também expulso da Venezuela
(1891) por suas idéias liberais, no governo de Raimundo Ignacio
Andueza Palacio (1846-1900). Mudou-se então para New York, onde
fundou a revista de combate Nemesis, foco de rebelião literária
e política durante vinte e cinco anos. Nomeado pelo presidente
Eloy
Alfaro (1842-1912) cônsul-geral e ministro plenipotenciário
do Equador, em Roma (1898), continuou dedicado à literatura. Publicou
Ibis
(1899), Alba roja (1901) e Ante los bárbaros
(1902),
que por ter um conteúdo anti-americano, foi impedido de voltar a
New York. Mudou-se para Paris (1904), onde escreveu e publicou Laureles
rojos (1904), La república romana (1908) e La muerte
del cóndor (1914). Durante a primeira guerra mundial esteve
na Espanha, onde publicou Vuelo de cisnes (1917) e depois alternou
temporadas entre Madri, Paris e Roma. Apesar das perseguições
políticas em vida, sua obra obteve grande sucesso na América
Latina, mesmo muito depois de sua morte. Escritor revolucionário
e autêntico em seus pensamentos e idéias, foi criador de uma
extensa obra que obteve a mais ampla ressonância e respeito no mundo
Ocidental. Irredutível, solitário e ateu, altivo e vaidoso,
faleceu em Barcelona, Espanha, um mês antes de completar 73 anos.
Algumas de suas obras foram publicadas postumamente como El maestro
(1935),
El joyel mirobolante (1937) e José Martí:
apóstol-libertador (1938).