José Jacinto Veiga
(1915 - 1999)
Contista
e romancista brasileiro nascido na fazenda Morro Grande, município
de Corumbá de Goiás, hoje no Estado do Mato Grosso do Sul,
importante escritor da literatura brasileira, autor de uma obra profundamente
marcada pelas questões políticas nacionais e o anseio humano
pela liberdade, é considerado um dos principais representantes brasileiros
do chamado realismo mágico. Filho de um segundo casamento
do pai, o pedreiro José Jacinto Veiga, saiu de Corumbá
após a morte da mãe, pois o pai não tinha condições
de sustentar os filhos, para ser criado pelos tios na capital do estado.
Estudou em um colégio com uma grande biblioteca, que permitia o
acesso dos alunos a todo tipo de obras e encantou-se pela literatura e,
com 20 anos, foi para o Rio de Janeiro. Diplomado pela Faculdade Nacional
de Direito, no Rio de Janeiro (1941), trabalhou no comércio e foi
locutor de rádio, tradutor e jornalista. Depois da II Guerra, morou
em Londres (1945-1959), onde trabalhou na rádio BBC, como comentarista
e tradutor de programas para o Brasil. De volta ao Brasil, fixou-se na
cidade do Rio de Janeiro, onde trabalhou como professor da Fundação
Getúlio Vargas e jornalista em O Globo, Tribuna da Imprensa e tornou-se
redator e tradutor da revista Seleções do Reader’s Digest.
Estreou na literatura aos 44 anos, com o livro de contos Os cavalinhos
de Platiplanto (1959), que lhe deu o prêmio Machado de Assis,
de clara a influência de Kafkaniana. Em seu romance seguinte,
A
hora dos ruminantes (1966) expressou a atitude existencial do autor
diante da gravidade dos problemas do homem contemporâneo. Também
publicou ainda A máquina extraviada (1968), Sombras de
reis barbudos (1972), Os pecados da tribo (1976),
Aquele
mundo de Vasabarros (1982) e A casca da serpente (1989). Ao
todo, escreveu sete romances e duas novelas. Costumava visitar Corumbá
anualmente, permanecendo na cidade por cerca de uma semana, lendo pela
manhã em sua casa, próxima ao largo da matriz, e à
tarde conversava com os amigos, enquanto fumava cachimbo, uma rotina de
visitas ele conservou até que morreu de câncer no pâncreas,
aos 84 anos, no Rio de Janeiro. Dono de um estilo marcado por uma narrativa
simples, enxuta, porém rica, sem exibicionismos, sem concessões,
sem extravasamentos, foi dos poucos autores brasileiros que ousou ser imaginativo
e, assim como Monteiro Lobato e Soares Silva, também
escreveu para crianças.