John Harrington, Sir
(1561 - 1612)
Cortesão, tradutor, autor e poeta satírico inglês nascido em Kelston, Somerset, que entrou para a história do saneamento quando idealizou e convenceu sua protetora, a Rainha Elizabeth I, a instalar no palácio, um recinto interno e fechado com vaso cloacal, a primeira latrina ou flush toilet. Seu pai, John Harington of Kelston, enriqueceu a família e se aproximou da nobreza. Casou-se em segundas núpcias com Isabella Markham, uma filha ilegítima de Henrique VIII, uma criada da Princesa Elizabeth, e esta aceitou se tornar madrinha do seu filho. Educado em Eton, em Cambridge e em Lincoln's Inn, Londres, começou a estudar leis, atraído desde cedo pela vida no tribunal real. Por causa de sua poesia e outros escritos, ele caiu nas graças da rainha, como também de seu sucessor, o Rei James I da Inglaterra. A rainha o encorajou a se dedicar a sua veia literária e o início de uma tradução do Orlando Furioso, de Ariosto, causou o banimento do tribunal durante alguns anos. A Rainha exigiu-lhe que ele não retornaria ao tribunal até que tivesse traduzido o poema inteiro. Ele aceitou o desafio e continuou seu trabalho que foi completado (1591) e recebeu grande elogio e sua versão do poema ainda é respeitada por intelectuais ingleses doa dias de hoje. Casado (1583) com Mary Rogers, com quem teria quinze crianças, alguns deles se tornatiam funcionários da corte. Sobre sua invenção escreveu um livro, A New Discourse upon a Stale Subject: The Metamorphosis of Ajax (1596). Após a morte da Rainha (1603) ele afastou-se da corte, mas continuou escrevendo, embora ele tivesse jurado deixar poesia na morte de sua protetora, e ainda publicou um pequeno volume de versos (1607), ano em que também publicou sua tradução do Regimen, o famoso manual da antiga Escola Médica de Salerno, considerada a melhor das traduções. Foi tutor de Henry Frederick, Prince of Wales, o filho primogênito do rei. Deixando o cargo (1609), morreu em Kelston, Somerset, aos 51 anos de idade. Também escreveu um tratado sobre a sucessão da coroa que foi publicado postumamente (1653) por seu neto, John Chetwind, com o título de A Briefe View of the State of the Church.