João Lustosa da Cunha, segundo marquês de Paranaguá
(1821 - 1912)
Magistrado, abolicionista e estadista brasileiro nascido na fazenda Brejo do Mocambo, na antiga freguesia de Nossa Senhora do Livramento de Paranaguá, hoje município de Paranaguá, no Estado do Piauí, que se destacou na defesa do abolicionismo. Neto dos portugueses José da Cunha Lustosa e Helena de Sousa Lustosa, era filho do coronel José da Cunha Lustosa e de D. Ignácia Antônia dos Reis Lustosa, e irmão de José da Cunha Lustosa, o Barão de Paraim, e de José Lustosa da Cunha, o Barão de Santa Filomena. Formou-se na Faculdade de Direito de Olinda, Estado de Pernambuco (1846) e casou-se (1847) com Maria Amanda Pinheiro de Vasconcelos, filha do Visconde de Monserrate, com quem teria quatro filhos, a saber, José Lustosa da Cunha Paranaguá, que foi presidente das províncias do Amazonas e Santa Catarina, Maria Amanda Lustosa Paranaguá, a Baronesa de Loreto, Joaquim Pinheiro Paranaguá e Maria Francisca de Paranaguá. Nomeado juiz, fez carreira na magistratura até atingir o cargo de Conselheiro, correspondente ao atual Desembargador, na Província do Piauí. Na política, iniciado sua vida no Partido Conservador, mas posteriormente tornou-se um dos líderes do Partido Liberal. Elegeu-se para a Câmara Geral (1850). Foi presidente das províncias do Piauí, Maranhão e Pernambuco, até se tornar senador (1865). Também foi conselheiro de estado, presidente da província da Bahia, e fez parte de vários gabinetes imperiais como Ministro da Justiça, da Guerra e dos Estrangeiros (1866), Ministro da Guerra (1878), Primeiro-ministro e ministro da Fazenda (1882) e Ministro dos Estrangeiros (1885). Abolicionista, foi agraciado com o título de visconde (1882) e presidiu o conselho de ministros (1882-1883). Com um programa de reformas radicais, que incluía a abolição gradual da escravatura, propôs a criação de um imposto sobre a venda de escravos e a proibição do tráfico entre as províncias do país. Agraciado com o título de marquês (1888), abandonou a atividade política com proclamação da república e morreu na capital federal, Rio de Janeiro. Sua correspondência com o imperador D. Pedro II, de grande valor como documentação histórica, está preservada no Museu Imperial, em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro.