João Cabral de Melo Neto
(1920 - 1999)
Poeta brasileiro nascido em Recife, PE, que com sua tentativa de desvendar os elementos concretos da realidade, inaugurou um novo modo de fazer poesia em nossa literatura. Ingressou na carreira diplomática aos 25 anos, exercendo sua profissão em diversos países, por mais de quarenta anos um período em que o poeta conheceu a fundo a cultura espanhola, especialmente quando viveu em Barcelona e Sevilha, o que deixou muitas marcas na sua poesia. Membro da Academia Brasileira de Letras (1968), após se aposentar do serviço público, radicou-se no Rio de Janeiro, cidade onde veio a falecer. Teve a publicação em volume único de sua obra completa, pela editora Nova Aguilar (1994). Seu poema mais conhecido, Morte e vida Severina (1956), é uma narrativa subintitulada Auto de Natal pernambucano, que trata da caminhada de um retirante do sertão até o litoral, em busca de condições para sobreviver à seca. A semelhança com um auto natalino ocorre no final, quando, ao presenciar o nascimento de uma criança, o retirante renuncia aos seus pensamentos suicidas. Esse poema teve uma versão apresentada pela Rede Globo de Televisão com participação da cantora Elba Ramalho. A obra do autor ainda contempla Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), Psicologia da composição (1947), O cão sem plumas (1950), O no (1954), Paisagem com figuras (1956), Uma faca só lâmina (1956), A educação pela pedra (1966), Museu de tudo (1975), Auto do frade (1984), Agrestes (1985) e Crime na Calle Relator (1987).