João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes, o João Ribeiro
(1860 - 1934)
Polígrafo autor e professor brasileiro nascido em Laranjeiras, Sergipe, cuja obra foi muito importante para o estudo da história, língua e cultura brasileiras. Filho de Manoel Joaquim Fernandes e D. Guilhermina Ribeiro Fernandes, após estudos primários em Laranjeiras, completou o curso de humanidades no Atheneu Sergipense de Aracaju (1880). Iniciou medicina na Bahia, na Faculdade de Medicina de Salvador, mas constatando que a sua vocação não era a de médico, abandonou o curso e mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro (1881), com o fim de completar os estudos na Escola Politécnica enquanto, simultaneamente, continuava a estudar arquitetura, pintura e música, os vários ramos da literatura e sobretudo filologia. No Rio se dedicou ao magistério particular e ao jornalismo, que exerceu toda a vida. No magistério, lecionou nos colégios D. Pedro de Alcântara, Alberto Brandão e outros. Exerceu um cargo de oficial na Biblioteca Nacional (1885-1890), assumiu por concurso (1887) a cadeira de Português do Colégio Pedro II, depois Gymanasio Nacional, e foi nomeado (1890) para a de História Universal. Bacharelou-se (1894) em Ciências Sociais pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro. Foi á Alemanha (1896), comissionado pelo Governador Federal, para o estudo da Instrução naquele e em outros países, representando no mesmo ano o Brasil na confederação de Dresde sobre a propriedade literária e, no ano seguinte, representou oficialmente o Brasil no Congresso reunido em Londres para a organização do Catálogo Internacional. Foi nomeado para reger o ensino de sintaxe portuguesa do Pedagogium (1911) e esteve em Genebra, na Suíça (1914), a fim de prosseguir nos seus trabalhos literários tendo regressado ao Brasil no mesmo ano. Membro do Instituto Filológico Brasileiro e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, também foi o primeiro sergipano eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 8 de agosto (1898) para a Cadeira número 31, antes ocupada pelo falecido Luiz Guimarães Júnior. Faleceu no Rio de Janeiro a 13 de Abril (1934), numa Clínica Hospitalar situada no bairro de Laranjeiras. Como poeta, cronista, crítico literário, historiador, moralista e filólogo deixou obra vasta como Gramática portuguesa (1886-1887), Dicionário gramatical (1889), História do Brasil (1900), Estudos filológicos (1902), Frases feitas (1908-1909), O folclore, estudos da literatura popular (1919), A língua nacional (1921), Curiosidades verbais (1927) e Floresta de exemplos (1931). Editou autores portugueses e brasileiros, fez crítica literária em moldes humanísticos e liberais, e traduziu livros de autores estrangeiros.