Joana de Castela, a Louca
(1479 - 1555)
  Rainha espanhola nascida na cidade de Toledo, em Castela, que ficou famosa pelo ciúme doentio que demonstrava em relação ao marido e cujo desequilíbrio mental a incapacitou para governar. Terceira dos filhos dos reis católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, os monarcas que financiaram a viagem de Cristóvão Colombo para o descobrimento da América, recebeu uma educação esmerada e casou-se (1496) com o filho do futuro imperador Maximiliano I do Sacro Império Romano-Germânico, o príncipe da dinastia dos Halsburgo e arquiduque de Áustria Filipe o Belo, com quem foi viver em Flandres. Apesar da forma como se deu o casamento, um arranjo político com a corte da Áustria, os dois se entenderam bem e tiveram seis filhos. A morte de seus irmãos mais velhos, João e Isabel, tornou-a herdeira da coroa espanhola e ela o marido regressaram à Espanha (1502). Com o tempo, a princesa vai tornando-se obcecada pelo marido, enquanto ele se torna indiferente, mantendo relações com várias amantes. Isso faz piorar a esquizofrenia da futura rainha, e a princesa começou a manifestar os primeiros sintomas da doença mental. A princesa espanhola protagonizou cenas inesquecíveis em nome da paixão por seu marido, Filipe, o Belo, como por exemplo, talhou o rosto de uma suposta amante do marido, para em seguida ser trancafiada por ele. Sua mãe, Isabel a Católica, que em seu testamento, reflexo de uma concepção patrimonial do reino, não legara os direitos sucessórios a Fernando II, mas à filha, estipulou antes de morrer que o pai da herdeira se tomaria regente, caso ela estivesse incapacitada, ausente ou não quisesse governar. Com a morte de Isabel (1504), assumiu formalmente o trono, porém houve uma disputa pelo poder entre Filipe e Fernando II, resolvida quando Fernando aceitou retirar-se para Aragão. Por causa da loucura da esposa, Filipe foi ao tribunal para tentar declará-la legalmente louca, e assim assumir seu lugar no trono espanhol. Com a repentina e prematura morte de Filipe (1506), aos 28 anos, ela endoidou de vez. Proibiu que qualquer mulher se aproximasse dos restos mortais, os quais ela abraçava de tempos em tempos. Com o agravamento de sua doença, Fernando regressou a Castela, para assumir a regência e a rainha, em completa loucura, viveu reclusa no castelo de Tordesilhas pelo resto da vida. Com a morte de Fernando (1516), foi sucedida no trono pelo filho Carlos I, que depois seria aclamado imperador Carlos V do Sacro Império, e que deu início a dinastia dos Habsburgos na Espanha, a qual se manteria por dois séculos.

Figura copiada da página GENTE/VEJA, site ED. ABRIL S/A:
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