João
de Deus Nogueira Ramos, o João de Deus
(1830 - 1896)
Poeta português nascido em São Bartolomeu
de Messines, no Algarve, um eminente poeta lírico, considerado à
época o primeiro do seu tempo e um dos últimos nomes de expressão
do romantismo luso. Foi o quarto dos catorze filhos de Pedro
José dos Ramos e de Isabel Gertrudes Martins, modestos
comerciantes locais, e sem recursos financeiros para aspirar a uma carreira
universitária, estudou latim na sua terra natal e ingressou no Seminário
de Coimbra, então o único caminho para que pobres pudessem
prosseguir estudos. Convicto que não tinha vocação
para a vida eclesiástica, ingressou na Universidade de Coimbra (1850)
onde se formou em direito (1859), período em que paralelamente escrevia
poemas que faziam sucesso nas revistas especializadas. Formado, dedicou-se
mais profundamente a atividade literária e suas composições
passaram a ter influência entre os poetas mais jovens, que começavam
a reagir contra o que consideravam os excessos do romantismo. Seu primeiro
livro de poemas foi Flores do campo (1868), que embora muito bem
recebido pela crítica, não lhe proporcionou bom retorno financeiro.
Interessado por problemas educacionais, propôs um método de
ensino da leitura que teve grande aceitação popular e que
ainda continua sendo utilizado, com a publicação de um guia
de alfabetização, Cartilha maternal (1876), no mesmo
ano de lançamento do conhecido Folhas soltas, que finalmente
lhe trouxe o prestígio merecido e lhe trouxe extraordinária
popularidade. Seu último importante sucesso foi a publicação
Campo de flores (1893), uma coletânea de seus poemas líricos,
epigramáticos e satíricos. Ainda em vida foi objeto das mais
variadas homenagens e morreu em Lisboa, onde foi sepultado no Panteão
Nacional. Passou a história da literatura portuguesa como o poeta
do amor.