Jesus Cristo ou de Nazaré
(~ 4 a. C. - 30 d. C.)
  Judeu da Galiléia e fundador do Cristianismo, nascido
em Belém, cidade da Judéia meridional, nos últimos anos do reinado de Herodes o Grande, quando Roma dominava a Palestina e Augusto era o imperador, que, independente do ponto de vista religioso, produziu uma das alterações mais profundas na história das civilizações, seja como sua imagem de Filho de Deus ou de moralista sonhador ou de revolucionário.  À época do seu nascimento, a Galiléia era um conhecido foco de permanente resistência contra a presença dos romanos e o povo judaico esperava por um salvador revolucionário e libertador que recuperasse sua independência política perdida desde o exílio da Babilônia (século VI a. C.) e, depois de dominados por outros povos, tinham passado ao poder de Roma (63 a.C). O aparente paradoxo sobre o ano de seu nascimento deve-se a um erro de datação atribuído ao monge Dionísio o Pequeno, encarregado pelo papa, no século V, de organizar um calendário, devidamente corrigido por estudos de astronomia. O dia 25 de dezembro foi fixado no quinto século da nossa era (440) como data do seu nascimento com o fim de cristianizar uma tradicional festa pagã anualmente realizada naquele dia. Por exemplo, o epsódio bíblico da visita dos três Reis Magos, teria ocorrido 8 meses depois de seu nascimento (19/12/04 a. C.), justificando-se inclusive a sinalização da Estrela Divina por uma conjunção planetária teorizada por estudos de astronomia. O principal testemunho sobre sua existência são os quatro evangelhos bíblicos, base da fé cristã, onde estão relatadas suas palavras e obras divinais e as reações de seu povo. Escritos originalmente em grego (60-98), aparentemente o evangelho segundo Marcos foi o primeiro concluído (~ 60) e o do apóstolo João (~ 98) foi o último e há estudos que afirmam que o de Mateus baseou-se em um texto anterior, em aramaico. Esses escritos coincidem entre si e com alguns relatos de historiadores da época, como do judeu Flávio Josefo, historiador da corte romana de Domiciano e do maior dos historiadores romanos, Tácito. Filho de José, carpinteiro de Nazaré, na Galiléia, e sua esposa, Maria, nasceu quando seus pais estavam em Belém, aparentemente por causa de um recenseamento. Como a notícia de que teria nascido aquele que seria o rei dos judeus, e como não sabia do seu paradeiro, Herodes, temeroso de ser destronado, ordenou a eliminação de todas os crianças de Belém e arredores, com menos de dois anos de idade. Porém, antes da tragédia seus pais fugiram para o Egito para proteger o filho, onde permaneceram até a morte de Herodes, alguns meses após. Então José decidiu regressar à Palestina com sua família e estabeleceu-se em Nazaré, onde seguiu seu ofício. Em Nazaré o filho passou a maior parte de sua vida trabalhando com o pai nas tarefas de carpintaria e de pedreiro, concertando ferramentas e até como roceiro. Sua primeira aparição pública, aos 12 anos, segundo Lucas, deu-se quando a família visitava Jerusalém, quando participou de uma reunião com os doutores do Templo, ouvindo-os e interrogando-os. Na adolescência trabalhou com o pai José, na construções de Séforis, cidade planejada e construída para ser a capital do Império Romano na região árabe, mas que depois foi abandonada. Segundo a tradição, após a morte de José, ele conheceu uma mulher natural da cidade de Magdala, e por isso chamada de Maria Madalena, possivelmente uma jovem viúva herdeira de algumas posses, que seria sua inseparável companheira pelo resto de seus dias. Por volta dos seus trinta anos, encontrou-se, na Judéia com seu primo João Batista, filho de Zacarias, famoso na região do Jordão por pregar o batismo com água como sacramento de penitência para o perdão dos pecados. Após ser também batizado por João, entendeu que estava na hora de começar a cumprir sua Divina Missão: de recolocar a humanidade no caminho de Deus Pai. Iniciou a pregação da Boa Nova, o Evangelho para os gregos, ou seja, a realização das profecias sobre o Messias e a instauração do reinado de Deus sobre o mundo a partir de Israel. Seguiu-se então uma frenética sucessão de acontecimentos impressionantes, como o jejum no deserto, durante quarenta dias e quarenta noites, o episódio das bodas de Caná, o primeiro relato da manifestação do seu poder divino, a prisão e morte de João Batista por ordem de Herodes Antipas e o episódio da mulher samaritana, entre muitos outros fatos extraordinários. Saindo de Nazaré, em sua pregação itinerante e a realização dos freqüentes milagres, foi da Samaria à Galiléia e chegou a Cafarnaum, às margens do lago Tiberíades ou mar da Galiléia, onde aconteceu o episódio da pesca milagrosa, e catequizou seus primeiros apóstolos: Simão Pedro, seu irmão André e os filhos de Zebedeu, Tiago e João, mais Filipe e Natanael, ex-discípulos de João Batista. Aos 31 anos completou seus primeiros 12 apóstolos, todos eles galileus e homens de origens extremamente humildes e, portanto, facilmente impressionáveis diante de promessas divinas de melhores dias. Sem nada escrever, pronunciou uma nova filosofia de vida, onde prevalecia o desapego aos bens materiais em troca da prioridade do amor ao próximo, especialmente aos mais humildes, para se alcançar o reino dos céus. De suas pregações surgiram o simbólico e famoso Sermão da montanha e suas notáveis parábolas, com as quais transmitia sua doutrina ao povo e sacerdotes, convertendo mais e mais seguidores. No período de seus 32 anos aconteceram os dois grandes milagres: a multiplicação dos pães e dos peixes e a ressurreição de Lázaro. Também neste período estabeleceu o primado de Simão, a quem chamou Pedro, e em presença dele, de Tiago e de João, realizou o prodígio da transfiguração e partiu para Jerusalém, a sede do governo da região. No entanto a sua pregação, para muitos judeus, estava longe de ser coerente com a profética missão de ser o rei dos judeus. Aos 33 anos, entrou triunfante em Jerusalém e promoveu a ação que selou seu destino: a expulsão dos mercadores do Templo. Na ralidade o Templo e seus arredores haviam se convertido em uma grande área comercial e a mais significativa fonte de arrecadação de fundos para o clero local. Ali se comercializava todo o tipo de mercadoria que servisse como forma de oferenda para os fiés judeus que para lá afluíam em romarias, na busca de proteção divina, compra de objetos de simbologia religiosa ou de agradecer graças alcançadas, entre outras intenções. Por exemplo, era intensa a venda de cordeiros destinados ao sacrifício, em cujos lucros os sacerdotes tinham polpuda participação. Diante desta insensatez para com a casa de Deus, ele revoltou-se e com seus seguidores promoveu a destruição da feira e expulsou os comerciantes. Por causa deste episódio, foi considerado blasfemo e acusado de conspirar contra o César, época em que Tibério era o imperador de Roma. Identificado e aprisionado no horto de Getsâmani, foi levado até ao pontífice Anás e, ante Caifás, o príncipe dos sacerdotes, com quem se haviam reunido os escribas e os anciões, passou a ser submetido a um processo religioso. Em seguida, foi conduzido ao palácio da procuradoria romana da Judéia, Pôncio Pilatos, que estava em Jerusalém por ocasião das festividades da Páscoa, que sem entender a revolta da população, o enviou a Herodes Antipas. Por um gesto político de Herodes, foi devolvido a Pilatos, que não achando delito nenhum naquele homem, mas diante à pressão dos chefes de Israel e de uma multidão incitada por eles, ainda propôs uma permuta de prisioneiros. Porém a maior parte da multidão, movida por uma histreria coletiva, optou pela soltura do prisioneiro político Barrabás quando da opção de troca proposta pelo titular do governo. Então o procurador romano, depois de se declarar inocente de seu sangue, pronunciou a fatal sentença da sua condenação à morte por crucificação. De acordo com as leis romanas, foi flagelado e teve que carregar uma cruz até a colina do Calvário, no monte Gólgota. Ali foi crucificado junto com dois malfeitores comuns, segundo cálculos de alguns estudiosos, historiadores e astrônomos, no dia 7 de abril (30).

Figura copiada do site Equipe PraVC
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OBSERVAÇÕES (*):

A paixão de Jesus, desde a última ceia até a crucificação e morte, é minuciosamente relatada pelos quatro evangelistas, porém não se pode afirmar com certeza absoluta o lugar exato em que se cumpriu a sentença, pois a destruição de Jerusalém (70) arrasou todo possível vestígio, restando apenas os relatos populares e a tradição. Cinqüenta dias após sua morte, durante a festa de Pentecostes, seus apóstolos André, Bartolomeu,Filipe, João, Judas Tadeu, Mateus, Simão Cananeu, Simão Pedro, Tiago (filho de Alfeu), Tiago (filho de Zebedeu), Tomé e Matias (substituto de Judas Iscariotes), que haviam sido escolhidos pelo próprio Jesus entre todos os seus discípulos para divulgar o evangelho pelo mundo, anunciaram sua ressurreição e que os enviara a pregar por todo o mundo a Boa Nova da salvação e do perdão dos pecados. Nas orações dos cristãos, Jesus Cristo é o filho de Deus e a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que veio ao mundo para pregar o Evangelho, palavra de origem grega que significa boa-nova, foi condenado à morte na cruz pelo governador romano Pôncio Pilatos, ressuscitou no terceiro dia e ascendeu aos céus, depois de haver deixado a seus discípulos a missão de difundir sua doutrina por todo o mundo, até a consumação dos séculos. O nome Jesus Cristo é composto da versão grega de dois nomes hebraicos: Jesus, de Joshua, que significa salvador; e Khristós, de Masiah, isto é, Messias.

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