Ator, empresário, diretor e produtor do cinema brasileiro nascido
em Murundu, distrito do município de Campos, na região norte
do estado do Rio de Janeiro, que ficou conhecido como o maior cafajeste
do cinema nacional devido aos papéis que representou e participou
de mais de cem produções, entre filmes, novelas e séries,
e uma figura importante na história do cinema brasileiro, na frente
e atrás das câmeras. Foi criado em Cachoeiro do Itapemirim,
no Espírito Santo, para onde seu pai, um ferroviário, foi
transferido. Iniciou carreira no teatro e no cinema antes de completar
20 anos, já no Rio de Janeiro, com participações em
chanchadas como Carnaval no Fogo (1949). Na década seguinte,
fez parte do elenco das primeiras montagens de Perdoa-me por me traíres
e Os Sete Gatinhos, ambas de Nelson Rodrigues, então
seu cunhado e que o considerava o ator perfeito para suas peças.
Construiu como ator uma imagem de homem rude e machão e associou-se
voluntariamente à palavra cafajeste no plano pessoal. Teve
participação decisiva na fase inicial do Cinema Novo,
em filmes como Rio 40 Graus (1955), em que ganhou um prêmio
de melhor ator por seu papel de malandro, Rio Zona Norte (1957)
e O Boca de Ouro (1962), todos dirigidos por Nelson Pereira dos
Santos, e o clássico Os Cafajestes (1962), de Ruy
Guerra. Ainda nessa década, atuou em Bonitinha Mas Ordinária
(1963) e Asfalto Selvagem (1964), ambos inspirados em textos de Nelson
Rodrigues, Mineirinho Vivo ou Morto (1967) e Navalha na Carne
(1969). Nas décadas seguintes foi ator e sobretudo produtor de comédias
e policiais eróticos e interpretou um pai-de-santo no último
filme de Glauber Rocha, A Idade da Terra (1980). Também
fez incursões pela direção, assinando, entre outros
filmes, As Sete Faces de um Cafajeste (1969), Memórias
de um gigolô (1970) e Nós, os Canalhas (1975).
Converteu-se à fé evangélica (1995) por influência
de Vera Gimenez, de quem já estava separado e participou
de O Cangaceiro (1997). Por essa época mudou-se para São
Paulo e passou dez anos em recolhimento intencional. Dizia-se arrependido
por ter levado vida boêmia e ter sido um pai ausente. Publicou uma
autobiografia, Memórias de um Cafajeste (2005) e voltou à
TV no início deste ano como um bicheiro na série Filhos
do Carnaval (2005-2006) e em participações especiais
em programas da Globo. Nos últimos meses estava envolvido num documentário
sobre si mesmo: O Evangelho Segundo Jece Valadão, e no filme
que marca o retorno de José Mojica Marins ao cinema, em Encarnação
do Demônio. O artista estava internado no hospital Panamericano,
em São Paulo, quando sofreu uma parada respiratória e depois
do seu sexto dia de internação na UTI da instituição,
respirando com ajuda de aparelhos, morreu aos 76 anos, vítima de
arritmia cardíaca, em conseqüência de problemas renais.
O ator passou por seis casamentos, tem nove filhos, cinco reconhecidos
e quatro assumidos por outros homens. Foi casado com a atriz Vera Gimenez
e era pai do ator Marco Antônio Gimenez, que faz o papel de Urubu
na série televisiva Malhação, e deixou viúva
a dona-de-casa Vera Lúcia Valadão, 45 anos. Seu último
trabalho na TV foi uma participação na série Sob
nova direção. Ator consagrado com 106 filmes, 50 peças
teatrais e atuação marcante na televisão, entre seus
últimos filmes integrou o elenco de Garrincha - Estrela Solitária
(2003) e Em Nome de Jesus (2003) e fez uma participação
especial na novela Bang Bang (2006) como o vilão Joe Wayne.
Figura copiada do site O FUXICO
(21/02/06):
http://ofuxico.uol.com.br/