Jacques-Marie-Émile Lacan
(1901
- 1981)
Psicanalista
francês nascido em Paris, que fez uma releitura do trabalho de Freud
e eliminou vários elementos do autor austríaco e concluiu
que o inconsciente determinava a consciência, embora este fosse apenas
uma estrutura vazia e sem conteúdo, tornando-se o fundador da psicanálisa
lacaniana. De uma família burguesa de origem provinciana e vinagreiros
de Orléans e de sólida tradição católica,
foi educado no Collège Stanislas, uma célebre instituição
dirigida por jesuítas, onde adquiriu uma formação
clássica, incluindo latim, grego, alemão, retórica,
filosofia e matemática. Com a morte do pai durante a I Guerra Mundial,
uma tia materna matriculo-o (1918) no colégio Stanislas, em Paris,
onde brilhou como matemático. No entanto escolheu os estudos de
Medicina e estudou psicanálise com o psiquiatra GaÎtan
de Clérambault na Faculté de Médecine de Parise
fez notadamente estágios em Saint-Louis, Laennec, Trousseau e Salpêtrière
(1927-1928) e se especializou em doenças mentais. Nomeado residente
dos asilos (1927) e trabalhou no asilo Sainte-Anne, na segunda seção
das mulheres e na Clínica dos Doentes Mentais e do Encéfalo,
dirigida, então, pelo Professor Henri Claude, uma das personalidades
mais influentes da psiquiatria entre as duas guerras. Em princípios
da década seguinte já estava envolvido com a Sociedade de
Neurologia, a Sociedade de Psiquiatria e a Sociedade de Saúde Mental,
e completamente integrado nos círculos de neurologia e psiquiatria
e publicou Revue française de psychanalyse (1932). Concluiu
seu doutorado com a tese Da psicose paranóica em suas relações
com a personalidade (1932). Décadas depois (1975) declarou que
a psicose paranóica e a personalidade seriam a mesma coisa. Em suas
teorias introduziu a questão do desejo que tinha sido escamoteada
por Freud como figura clínica principal, o desejo como preenchimento
de um vazio estrutural. Morreu em Paris aos 80 anos