Henrique
Jacob de Castro Sarmento
(1691 - 1762)
Grande
médico judeu-português de Londres nascido em Bragança,
preparador de um grande sucesso comercial, a Água Inglesa,
um composto líquido medicamentoso contendo quina. Era filho de Francisco
de Castro Almeida e de Violante de Mesquita, cristãos-novos
de Mértola, no Alentejo. Seu pai e o seu irmão mais velho
foram acusados de judaísmo pela Inquisição
de Évora, sendo o pai preso (1708), seus bens confiscados e condenado
a integrar um Auto de Fé (1710). Com grandes dificuldades estudou
Artes na Universidade de Évora e depois foi para a Universidade
de Coimbra, onde concluiu o curso de Medicina (1717). Diplomado em Coimbra,
praticou medicina em Beja e em Lisboa e desempenhou um importante papel
na introdução e vulgarização em Portugal das
novas correntes iatromecânicas sob a influência de Boerhaave,
assim como das teorias de Newton. Por causa de sua origem judia
mudou-se para a Inglaterra (1721) receoso da perseguição
do Santo Ofício a todos os que eram suspeitos de serem judeus. Fixou
residência em Londres onde mudou o seu nome Henrique
para Jacob, tornando-se o rabi dos judeus portugueses que
aí residiam. Estudou e desenvolveu atividades na área da
medicina em Inglaterra, tendo integrado o corpo docente da Universidade
de Aberdeen, na Escócia. Em Londres conviveu com o médico
Ribeiro Sanches (1699-1783) e com o Marquês de Pombal
(1699-1782), quando este era Ministro junto da corte inglesa. Tornou-se
um dos que deram origem a dinastias de fabricantes de remédios secretos,
procedimento comum entre os século XVII e XIX, vendendo principalmente
os medicamentos e fórmulas Curvianas e a Água de
Inglaterra. Tornou-se muito conhecido em Portugal pela preparação
da Água de Inglaterra, introduzida em Portugal por Fernão
Mendes (?-1724). O sucesso do seu medicamento atingiu uma dimensão
tal que ele era considerado o verdadeiro autor da Água de Inglaterra,
o que não corresponde à verdade. Iniciou a comercialização
da sua Água de Inglaterra (~1730) e entre os seus clientes contava-se
membros proeminentes da sociedade portuguesa. Montou uma rede de distribuição,
com correspondentes em Coimbra, Lisboa, Évora, Porto, Faro, Estremoz,
Vila Viçosa, Portalegre, Benavente, Abrantes e Rio de Janeiro, no
Brasil. A utilização dos remédios secretos começou
a ser condenada pelos setores mais avançados da Medicina a partir
de meados do Século XVIII e atingiu sua rejeição máxima
com a criação da Junta do Proto-Medicato (1782). Publicou
importantes obras na Inglaterra de grande utilização entre
profissionais portugueses e morreu em Londres. Apesar das injustiças
políticas, nunca esqueceu a terra natal. Fez diversas tentativas
para que em Portugal fosse feita uma reforma do ensino e tentou incansavelmente
estimular a investigação científica em seu país,
enviando, por exemplo, um microscópio construído por Edmond
Culpeper para a Universidade de Coimbra, de forma a estimular observações
que pudessem fomentar o progresso da Medicina em Portugal. Foi intermediário
da aquisição de diversos materiais científicos para
Portugal. Foi eleito membro do Royal College of Physicians de Londres (1725),
tornou-se sócio da Royal Society (1730) e passou a integrar o corpo
docente da Universidade de Aberdeen, na Escócia, (1736). Entre outros,
publicou Theorica Verdadeira das Marés (1737), o primeiro
texto em português a divulgar as idéias de Isaac Newton (1642-1727),
fundamental para a renovação do pensamento científico
português.