José Carlos de Brito e Cunha, o J. Carlos
(1884 - 1950)
Caricaturista e ilustrador gráfico carioca nascido no bairro de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, um dos formadores da tradição da charge brasileira e criador de tipos como a negrinha Lamparina, a Melindrosa e o Almofadinha. Sem sair de sua cidade natal e como autodidata, iniciou a carreira de caricaturista ainda estudante, quando publicou um de seus desenhos na revista O Tagarela (1902). Em seguida, passou a colaborar regularmente com a revista e em abril do ano seguinte desenhou sua primeira capa na publicação. Colaborou em muitos órgãos da imprensa carioca como  O Tico Tico, Fon-Fon, Careta, A Cigarra, Vida Moderna, Eu Sei Tudo, Revista da Semana e O Cruzeiro. Durante a primeira guerra mundial também publicou em periódicos estrangeiros. Ao lado de Raul Pederneiras e Kalixto, formou o trio que daria à caricatura brasileira caráter nacional. Depois da guerra chefiou (1922-1930) a seção artística de O Malho, principal revista da época. Trabalhando a bico de pena e aquarela, com um traço fino e sintético, foi influenciado pelo francês Sem e pelos desenhos elegantes e sinuosos da art nouveau. Exerceu a charge política e a caricatura de costumes, e seus trabalhos são preciosos documentos da evolução social carioca. Sua numerosa produção gráfica compreendeu desde ilustrações de texto, publicidade, histórias em quadrinhos, charges, caricaturas, vinhetas, capas de revistas e livros infantis etc, certamente com mais de 50 mil ilustrações e, para alguns, mais de 100 mil. Além de ter sido um dos grandes nomes da ilustração na imprensa escrita brasileira e o maior expoente da caricatura da primeira metade do séc XX, também fez esculturas, foi autor de teatro de revista e letrista de música popular. Morreu dois dias depois de sofrer uma hemorragia cerebral, enquanto trabalhava em seu ofício na redação de A Careta, revista que então dirigia (1908-1921 / 1935-1950), no Rio de Janeiro, aos 66 anos. Muitas das figuras da época, em particular políticos como o Barão do Rio Branco, o Marechal Hermes, Nilo Peçanha, Epitácio Pessoa, ficaram mais vivos e verdadeiros nas charges que lhes dedicou do que e nos livros dos seus biógrafos, e hoje é reverenciado com o nome em uma rua do Jardim Botânico, um busto em praça pública no mesmo bairro e o nome de uma escola municipal em Irajá.