Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé
(1895 - 1972)
  Escritor, poeta e humorista brasileiro nascido no interior de uma diligência, no Estado do Rio Grande do Sul, em um local próximo à fronteira com o Uruguai, de largo prestígio e de vida atribulada, especialmente pela seu idealismo político, e um dos personagens mais criativos e interessantes do século passado, no Brasil. Matriculou-se (1906) como interno no Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo-RS, onde faz o seu primeiro jornal manuscrito, intitulado Capim Seco, com tiragem de um exemplar (1909). Deixou o colégio após cursar o 5º. ano ginasial (1911) e, três anos depois, matriculou-se na Faculdade de Medicina de Porto Alegre-RS. Após sofrer um derrame (1918), abandonou a Faculdade no 4º. ano e passa a publicar sonetos e artigos em jornais e revistas, e dedicou-se exclusivamente ao jornalismo e ao jornalismo humorístico. Casou-se com Alzira Alves, com quem tem três filhos: Ady, Ary e Arly. Com o casamento desfeito, mudou-se para o Rio de Janeiro (1925) e passou a trabalhar no jornal "O Globo" como articulista. Com a morte do padrinho Irineu Marinho, Diretor-proprietário do diário, desliga-se do jornal e passa a a escrever uma coluna na primeira página do Correio da Manhã, assinando sob o pseudônimo de Apporelly. Com o sucesso resolve fundar seu próprio jornal, A Manha (1926), um tablóide de circulação nacional, que também tornou-se um sucesso completo, superando todos os concorrentes em vendas. Irreverente, com a revolução (1930), proclamou-se Duque de Itararé, um herói da batalha que não houve. Pelas constantes estocadas contra o governo instalado pela revolução foi preso (1932). Preso, novamente (1935) por ser militante e um dos fundadores da Aliança Nacional Libertadora, só seria solto em dezembro do ano seguinte, permanece preso primeiro a bordo do navio presídio D. Pedro I, depois na Casa de Detenção do Rio de Janeiro, juntamente com Hermes Lima, Eneida de Morais, Nise da Silveira e Graciliano Ramos. Dona Zoraide, sua segunda mulher, faleceu nesse ano. Casou-se (1937), pela terceira vez, com D. Juracy, que lhe dá mais um filho, Amy Torelly. e, no ano seguinte voltou a ser colunista do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro. Viúvo novamente (1940) também perdeu a filha Ady (1943). Apoiado por amigos e jornalistas, ressuscitou o A Manha, com enorme sucesso e participou ativamente da campanha de Yedo Fiuza, candidato oficial do Partido Comunista Brasileiro (PCB) à presidência da República, e elegeu-se para Câmara do Distrito Federal pelo PCB e passou a colaborar com a Folha do Povo, de Luiz Carlos Prestes, fazendo parte de uma equipe com nomes como Carlos Drummond de Andrade, Di Cavalcanti, Jorge Amado e Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Com o final registro do PCB (1946) todos os seus representantes eleitos perderam seus mandatos. Em virtude de problemas financeiros, A Manha deixou de circular (1948), mas no ano seguinte lança novo grande sucesso, em São Paulo: Almanaque d'A Manha (1949). Com o sucesso do lançamento, animou-se e voltou a editar (1950) A Manha, em São Paulo, onde o humorista viveu até setembro (1952), quando o humorístico deixou de circular, definitivamente. Lançou (1955) dois Almanhaques, no 1º. e 2º. semestres, e passou a colaborar com o jornal Última Hora. Casando-se pela quarta e última vez, com Aida Costa, voltou a morar novamente no Rio de JAneiro. Viajou pela China (1963), a convite do governo de Pequim, passando por Praga e Moscou. Nos anos seguintes (1964/1970), dedicou-se a seus horóscopos biônicos e quadrados mágicos. Morando em um pequeno apartamento no bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro, faleceu aos 76 anos de idade.

Figura copiada do site RELEITURAS:
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