Príncipe português nascido no Porto, considerado um dos grandes
heróis da História de Portugal por seu relevante papel na
expansão ultramarina portuguesa, especialmente como o mentor
dos Descobrimentos. Terceiro filho de D. Filipa de
Lencastre e de D. João I, formou com
seus irmãos, D. Duarte, D. Pedro,D.
Fernando e D. João, a chamada Ínclita
Geração. Viveu parte da sua vida no Algarve, onde adquiriu
seu gosto pela ciência em especial pela Matemática e suas
aplicações à ciência náutica. Aos vinte
anos, D. João I resolveu preparar a expedição
a Ceuta (1414) e incumbiu o infante para tal. Este foi ao Porto, sua cidade
natal, para organizar a frota. A participação da população
foi intensa, tendo surgido desse evento a alcunha de tripeiros dos
habitantes do Porto, pois conta-se que estes teriam oferecido toda a carne
que tinham para a armada, e reservado para si as tripas. Em junho do ano
seguinte os trabalhos estavam concluídos e a expedição
estava preparada e pronta para partir. Num total de cinqüenta mil homens,
a Armada seguiu para sul, ao longo da costa de Portugal. Os mouros ofereceram
tenaz resistência, mas a cidade foi finalmente tomada (1415), naquele
que viria a ser um marco importante na História da Europa e do Mundo.
Assim esse foi seu primeiro feito importante e deu início à
expansão portuguesa. Ele e os irmãos foram armados cavaleiros
pelo pai, e ainda recebeu o título de Duque de Viseu e Senhor
de Covilhã. Realizou por sua iniciativa expedições
às Canárias (1416) e, por carta régia, foi-lhe concedida
a defesa da cidade de Ceuta. Aos poucos anos foi se tornando uma das mais
significativas da sua época, posição consolidada quando
assumiu a administração da Ordem de Cristo (1418)
por ordem do papa Leão X. Em seguida seu pai o empossou como
governador do Algarve (1419). A seu serviço os primeiros navios
chegaram à Madeira (1419), aos Açores (1427) e à costa
Africana depois do Cabo Bojador (1434). Os esforços estavam concentrados
na ultrapassagem desse cabo. O referido cabo mais não era do que
uma baixa linha de areia da orla do deserto do Saara que se projetava para
o oceano. No espaço de doze anos, os navegadores hesitaram em ir
para além das Canárias. O tempo ia passando e a paciência
do Infante ia-se esgotando com os sucessivos relatos de horrores nunca
antes imaginados. Quando Gil Eanes regressou com mais algumas das
habituais desculpas (1433), o Infante não se conteve e o obrigou
a voltar e dobrar o cabo. No ano anterior (1433) já havia conseguido
a exclusividade da indústria do sabão, o que aumentou os
seus valiosos rendimentos, mudou-se para Sagres, ou cabo Sagrado
(1434), onde fez o seu próprio quartel-general e fundou um Centro
de Estudos de Náutica, Astronomia, Cosmografia e Ciências
correlatas, que com o decorrer do tempo, transformou-se na famosa Escola
de Sagres. Foi nesse escarpado promontório português,
escolhido propositalmente por sua posição geográfica
e conformação geológica, que mandou edificar um observatório
astronômico, o primeiro conhecido na Europa, sendo tão grande
a fama deste centro marítimo que Veneza mandou emissários
a Portugal para negociarem a sua compra. Sagres passou, assim, de um rochedo
à beira do Atlântico, a celeiro de grandes navegadores que,
desafiando as lendas e os mistérios, alargaram as fronteiras de
Portugal e iniciou uma nova era da história. Dezenas de especialistas
em navegação viveram e trabalharam juntos durante boa parte
do século XV. Lá cosmógrafos, construtores de barcos,
capitães, pilotos e marinheiros ajudaram Portugal a realizar avanços
tecnológicos na área da navegação. O astrolábio,
por exemplo, instrumento de origem árabe que ajudava os navegantes
a se guiarem pelas estrelas, foi aperfeiçoado, novas técnicas
para construção de barcos foram inventadas, mapas de ilhas e
da costa africana foram redesenhados etc. Depois do desastre de Tânger
(1437) onde o exército português foi derrotado e morreu seu
irmão D. Fernando, foi incumbido pelo regente D. Pedro
de proceder ao povoamento de algumas ilhas dos Açores (1439). Retomou
as explorações (1441) e chegou a Guiné e ao arquipélago
de Cabo Verde. Em função desses sucessos D. Pedro concedeu-lhe
o monopólio da navegação no litoral africano (1443).
No ano seguinte fundou da Companhia de Lagos e dois anos depois
(1446) ordenou o início da construção do Forte
de Arguim. Recebeu a doação do cabo de S. Vicente, com
uma légua em redor (1448) e foi nomeado governador da praça
de Ceuta (1450), mesmo ano em que foi publicada uma bula do papa Nicolau
V, concedendo a D. Afonso V todos os territórios
descobertos a mando do Infante. Três anos depois (1453) deu-se a
conhecer o manuscrito Crônica do Descobrimento e Conquista da
Guiné, de Gomes Eanes de Azurara, texto que tratava o
infante como o herói de todas as conquistas e que deu início
a transformação de seu nome em um mito. Morreu solitário
em Sagres, um mês depois de fazer o seu testamento, com 66 anos de
idade, afastado da corte e ausente de amigos. Sepultado em Santa Maria
de Lagos, foi trasladado para o Mosteiro da Batalha, para a capela do Fundador.
Na fachada do sarcófago foi esculpida a sua esfinge e, o longo do
friso, lê-se a frase que sempre fez questão de cumprir: Talent
de bien faire, ou seja, Vontade de bem-fazer. Mesmo sem ter
sido um grande navegador, foi o impulsionador, dinamizador e organizador
do empreendimento português das descobertas, especialmente as realizadas
ao longo da costa africana, iniciando o grande ciclo dos descobrimentos
lusitanos. Católico convicto, no entanto, não chegou a se
casar. Empenhou a vida, alguns sonhos e muitas aventuras, para impulsionar
navegadores na descoberta de outras terras. Em Sagres se instalou e aprendeu
os mistérios do mar. Tinha os melhores mapas, contratou cartógrafos,
navegadores, geógrafos e construtores navais que, com as informações
trazidas pelos marinheiros que regressavam das expedições,
fizeram deste centro o baluarte dos conhecimentos náuticos da Europa.
A Índia era o horizonte de suas ambições. Pretendia
romper a lenda tenebrosa do Cabo Não, navegando ao longo da costa
africana até achar a passagem no desconhecido extremo sul do continente,
descobrindo o caminho para o Oriente e fazer a ligação marítima
para a Índia. Não viveu o suficiente para ver esse sonho
concretizado, o que só foi conseguido vinte e oito anos mais tarde,
quando o Cabo das Tormentas foi enfim contornado por Bartolomeu
Dias. Com a morte do Infante (1460), Sagres foi abandonada, e o processo
de investigação ficou a cargo da Coroa nas mãos de
D. João II. Já no início do século
XVI a localidade foi invadida e saqueada pelo pirata inglês Francis
Drake e, por esse motivo, hoje inexiste documentação
que permita verificar a atividade da Escola de Sagres. Juntamente
com Nuno Álvares Pereira e Camões, é
considerado um dos maiores construtores dos sentimentos da nacionalidade
portuguesa.
Foto
copiada do site HISTORIANET:
http://www.historianet.com.br/