Índia Isabel
( ? - 1585)
Índia brasileira escravizada nascida na Bahia,
vítima da crueldade de seu senhor, o cristão-velho Fernão
Cabral de Taide, proprietário do engenho Jaguaribe, no Recôncavo
Baiano, onde ficava uma santidade indígena, a mais famosa e documentada
dessas comunidades heréticas no Brasil, a Santidade de Jaguaripe,
Bahia (1585-1586), liderada por um índio de nome Antônio,
que fugira da missão jesuítica de Tinharé. A Santidade
era um movimento espontâneo, reunindo índios fugidos das aldeias
jesuíticas e das fazendas de açúcar, que teve a certa
altura de sua história o auxílio desse poderosíssimo
senhor de engenho, que resolveu atrair a Santidade indígena para
suas terras, mediante a promessa de que ali os índios teriam apoio
e liberdade de culto. Sob a acusação de ter contado casos
amorosos de Fernão a sua mulher, Margarida da Costa,
este ordenou ao feitor, Domingos Camacho, que a queimasse viva,
o que ele fez ajudado pelo escravo guiné João. O episódio
teve enorme repercussão na Bahia. Esta situação gerou
perturbações na capitania da Bahia, até que fosse
ordenada a destruição da Santidade pelo governador Teles
Barreto (1585). Seis anos depois deste episódio chega à
Bahia o visitador inquisitorial, Heitor Furtado de Mendonça,
encarregado de averiguar judaização, bigamia, sodomia, e
o episódio foi denunciado a esse Tribunal do Santo Ofício,
por ocasião da visitação do Santo Ofício à
Bahia (1591-1593) e aberto o processo inquisitorial contra Taíde,
numa denunciação de 17 de agosto (1591), em que Pauloa
d’Almeida acusava o senhor de engenho de haver tentado amorosamente
a uma irmã da denunciante e duas vezes comadre do denunciado.