Irmãos
Campos:
Haroldo
Eurico Browne de Campos
(1929
- )
Augusto
Luís Browne de Campos
(1931
- 2003)
Ensaístas, poetas, profundos conhecedores
de línguas e exímios tradutores de poesia brasileiros nascidos
em São Paulo, SP, que realizaram uma das obras de erudição
mais abrangentes da literatura contemporânea no Brasil. Haroldo estreou
com o livro Auto do possesso (1950) e Augusto com O rei menos
o reino (1951). Na poesia que então faziam, há indícios
de filiação ao formalismo (1945), de cuja orientação
os dois divergiram ao lançarem com Décio Pignatari,
o movimento concretista (1956). Sozinho, Haroldo publicou textos
criativos como Xadrez de estrelas (1976), Galáxias
(1984), A educação dos cinco sentidos (1985), Finismundo:
a última viagem (1990) e textos teóricos e críticos
como Metalinguagem (1967), A arte no horizonte do provável
(1969), A operação do texto (1976), Deus e o diabo
no Fausto de Goethe (1981). Sua tradução mais ambiciosa
foi a do Eclesiastes (1991). Augusto publicou, sozinho, Balanço
da bossa (1968), Revisão de Kilkerry (1971), sobre a
poesia do simbolista baiano Pedro Kilkerry, e Pagu, vida-obra
(1982), sobre Patrícia Galvão, mulher e companheira
de trabalho de Oswald de Andrade. No terreno da tradução
ou, como preferem esses autores, da transcrição de poesia,
é notável o trabalho por eles desenvolvido, muitas vezes
com a ajuda de um terceiro escritor. Na produção desse tipo
destacam-se: Cantares de Ezra Pound (1960) e Mallarmé
(1971), com Décio Pignatari; Poemas de Maiakovski
(1967) e Poesia russa moderna (1985), com Boris Schnaiderman.
Especial importância teve Revisão de Sousândrade
(1964), livro no qual eles redescobriram o poeta romântico maranhense Joaquim
de Sousa Andrade, o Sousândrade (1833-1902). Augusto
morreu de falência múltipla dos órgãos em 16
de agosto, em São Paulo.