Górgias de Leôncio ou de Leontinos
(485 - 375 a. C.)
Principal filósofo sofista grego depois de Protágoras, nascido em Leôncio ou Leontini, na Sicília, considerado a maior expressão prática da sofística e o criador da retórica. Segundo alguns autores, teria sido discípulo de Empédocles e acompanhou (427 a. C.) uma delegação que foi a Atenas pleitear o apoio desta contra a poderosa Siracusa. Foi quando impressionou pela sua eloqüência e, aclamado pelos atenienses por sua excelência oratória, retornou várias vezes a esta cidade. A partir de então, viajou por toda a Grécia ensinando e a busca de novos conhecimentos, atraindo multidões por seu estilo próprio e eloqüência discursiva. Menos profundo, porém, mais eloqüente que Protágoras, teoricamente, porém, foi um filósofo ocasional e usuário enfático dos artifícios da dialética eleática. Foi mestre de Isócrates e Tucídides e, assim, ensinou na Sicília, em Atenas, em outras cidades da Grécia, até se estabelecer em Larissa, na Tessália, onde teria morrido aos 109 anos de idade. De suas obras, podem ser citadas Discursos, Oração Olímpica, Oração Fúnebre, Elogio de Elis, Elogio de Helena, Defesa de Palamedes e Sobre o Não Ser ou Sobre a Natureza. Deste último, conservaram-se até nossos dias duas versões resumidas. Dos outros textos são conhecidos apenas fragmentos, conservados em escritos posteriores sob forma de citação ou comentário, doxografia. Suas obras partiam do niilismo para construir o edifício de sua retórica. Sobre a natureza ou sobre o não-ser é uma espécie de niilismo ocidental. Partiu da dialética eleática, ao contrário do sofista Protágoras, que alegava a mutabilidade de todas as coisas. Foi o primeiro filósofo a teorizar a valência estética da palavra e a essência da poesia. Os sentidos não conferem com o que diz a inteligência sobre o ser; por sua vez a doutrina do ser da inteligência é insustentável, porquanto conduz à paradoxos, portanto o ser não existe! Mesmo que exista alguma coisa, não conseguimos conhecê-la. Se conseguíssemos conhecer algo, não o conseguiríamos comunicar. Platão deu o seu nome a um dos seus diálogos, no qual declarava que a sua arte produzia a persuasão que move o homem a crer sem saber, e não a persuasão que instrui sobre as razões intrínsecas do objeto em questão.