Gomes Freire de Andrad[a/e], primeiro conde de Bobadela
(1688 - 1763)
Militar e fidalgo português nascido em Juromenha, no Alentejo, que, administrando o Rio de Janeiro colonial durante quase trinta anos, deu grande impulso à cidade, com realizações como a construção do aqueduto carioca e os arcos da Lapa e a instalação da primeira oficina tipográfica, além de construir conventos e monumentos públicos. Servindo 23 anos no regimento de Alentejo (1710-1733), onde alcançou o posto de capitão-de-cavalaria, atuando na Guerra de Sucessão da Espanha. Foi nomeado por D. João V governador e capitão-general do Rio de Janeiro e e Governador das capitanias de Minas Gerais (1735-1752), São Paulo (1737-1739), Goiás e Mato Grosso. Seu sucesso como administrador fez com que fosse nomeado governador da área colonial compreendida por Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a Colônia do Sacramento, hoje parte do Uruguai (1748-1763). Durante seu governo concluiu o aqueduto da Carioca, promoveu a construção do palácio dos governadores, de dois abrigos para leprosos e do convento de Nossa Senhora do Desterro em Santa Teresa, fundado por madre Jacinta de São José. Estimulou a intelectualidade do Rio de Janeiro, incentivando a formação da Academia dos Felizes, seguida pela dos Seletos. Surgiu então a idéia de instalar a primeira gráfica no Rio de Janeiro, iniciativa posta em prática por Antônio Isidoro da Fonseca (1747). Criou o Tribunal da Relação (1751) do qual foi o primeiro presidente e regedor. Foi encarregado da demarcação dos limites do sul do Brasil, em comum acordo com o delegado espanhol, o governador de Buenos Aires, José de Andonaégui (1752). Por seus serviços e lealdade à coroa D. José I condecorou-o com o título de conde de Bobadela (1758). Faleceu no Rio de Janeiro em l de janeiro (1763), como o melhor administrador da era colonial. Era irmão, também, de Henrique Luís Pereira Freire, governador e capitão-general da Província de Pernambuco no período de (1737-1746) e parente de José Ribeiro de Andrada, avô do patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva.



Gomes Freire de Andrad[a/e]


(1757 - 1817)
Militar luso-austríaco nascido em Viena, Áustria, de grande importância durante o domínio francês em Portugal. Filho de Ambrósio Freire de Andrade, embaixador de Portugal em Viena (1752-1770), primo direito do primeiro e segundo condes de Bobadela, e de uma aristocrata alemã da Boêmia-Morávia, foi educado em Viena e, feito comendador da Ordem de Cristo, chegou a Portugal (1781) ingressando no regimento de infantaria de Peniche. Cadete a 19 de Setembro e Alferes a 9 de Outubro da 5.ª companhia Reg. de Inf. de Peniche (1782), tornou-se Tenente de Mar da Armada Real (1787). Da Marinha, aproveitado a guerra da Rússia contra o Império Otomano, e a assinatura do tratado de Amizade e Aliança entre Portugal e a Rússia, tornou-se major do exército russo, na guerra empreendida pela imperatriz Catarina e dirigida pelo célebre general Potemkine, conflito que terminou com a conquista da Criméia pela Rússia. Voltou a Portugal (1793) como coronel do Regimento da guarnição de Lisboa, e foi nomeado comandante da brigada de granadeiros. Foi promovido a marechal de campo graduado (1795) e manteve-se no comando do seu regimento da guarnição de Lisboa até à guerra (1801), então como promovido a marechal de campo efetivo. Esteve envolvido na tentativa de colocar a princesa Carlota Joaquina no poder (1805). Promovido a tenente-general (1807), durante a primeira invasão francesa, foi encarregado do comando da divisão que defendia a margem Sul do Tejo e Setúbal, contra um ataque britânico. Sua colaboração com os ocupantes espanhóis e franceses, deu-lhe o 2.º comando do exército português e foi integrado no exército francês com o título de Légion Portugaise (1808). Foi nomeado governador de Dresde (1813) por Napoleão Bonaparte, mas com o fim da Legião Portuguesa, regressou no mesmo ano a Paris e, posteriormente, a Lisboa (1815). Acabou enforcado em frente da fortaleza de São Julião da Barra, em 18 de Outubro (1817), após a descoberta de uma conspiração contra a regência, em que pontificava o seu primo Miguel Pereira Forjaz e com quem tinha convivido desde os quartéis do regimento de Peniche. Durante a República o dia da sua morte foi feriado nacional.