Gleb Vassielievich Wataghin
(1899 - 1986)
Físico
ulcraniano nascido na Birsula, arredores de Cherson, na Ucrânia,
que tem seu nome indelevelmente ligado ao desenvolvimento da Física
moderna no Brasil, e historicamente à Física dos Raios Cósmicos.
De uma família russa de origens nobres, culta e bem economicamente,
era filho de Vassily e de Evgenia Gulianitzky, cujo pai foi
engenheiro das ferrovias imperiais do sul. Educado em Kiev, fugiu (1918)
da revolução, pela Criméia, passou pela Grécia
e chegou de navio em Turim (1920), onde retomou os estudos e diplomou-se
em Física (1922) e em Matemática (1924), ambas com louvor.
Contratado (1924) como assistente da Escola Politécnica da universidade
turinense, ensinou Análise Matemática I e II e Física
Experimental na Academia Real e Escola de Aplicação, Artilharia
e Inteligência (1925-1933). Ainda na Politécnica, qualificou-se
(1929) como livre docente em Física teórica, e foi professor
de Mecânica Racional (1929-1934) e Física Superior (1933-1934)
na Universidade de Turim. Cidadão italiano (1929) começou
a pesquisar em raios cósmicos (1931) e, antecipou-se aos acontecimentos
políticos da II Guerra, mas famoso internacionalmente e conhecido
pelos melhores físicos teóricos e experimentais da época
como um dos pioneiros da Física de Raios Cósmicos, aceitou
(1934) o convite feito por Teodoro Ramos, por sugestão e
interferência de Enrico Fermi, para se tornar um dos primeiros
catedráticos da nascente Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras, núcleo da futura prestigiosa Universidade de São
Paulo, no Brasil, e assim, fez germinar e crescer a semente da Física
de Raios Cósmicos, hoje extremamente florescente no Brasil. Sua
vinda para o Brasil inaugurou uma nova concepção do ensino
da Física e abriu duas correntes de pesquisa, uma voltada para a
Física teórica e outra, voltada para os raios cósmicos.
De seu trabalho originou-se um grande número de pesquisadores brasileiros
em física, tais como César Lates, Mário
Schenberg, Yolande Monteaux, Leite Lopes, Jayme Tiomno,
Roberto Salmeron, Jean Meyer, Samuel MacDowell, Moises Nussenzweig,
André Swieca, Alberto Santoro e tantos e tantos outros. Imbuído
de um entusiasmo contagiante, no novo país dedicou-se ao titânico
empreendimento de criar, do nada, estruturas acadêmicas adequadas.
Esteve na Universidade de Sassari onde obteve a cátedra (1939) e
retornou ao Brasil, mas depois da guerra, voltou a Itália (1949)
para assumir a cátedra de Física Teórica da Universidade
de Pádua (1941), que tinha sido de Pochettino, onde permaneceria
pelo resto da sua vida e levaria, junto com Romolo Deaglio e Mario
Verde, àquela universidade a tornar-se uma escola de referência
em Física, conhecida e valorizada no mundo inteiro. Membro da Academia
de Ciências de Turim (1950) e da Accademia dei Lincei (1951), recebeu
o prestigioso prêmio Feltrinelli (1951), foi Diretor do Instituto
de Física e da Seção de Turim do INFN, Instituto Nacional
de Física Nuclear, morreu em Turim. Em sua homenagem quando ele
ainda estava vivo, a nascente Universidade de Campinas deu ao seu instituto
de física o nome de Gleb Wataghin .