Giuseppe Cilento
(1923 - 1994)
Químico e Bioquímico ítalo-brasileiro nascido em Sorrento, um dos primeiros químicos de sua geração que se dedicou a estudos interdisciplinares, adaptando a química à pesquisas na área de mineralogia, biologia e física, aproximando a química de outras ciências. Filho de pai italiano, um médico que imigrou para o Brasil antes da Primeira Guerra Mundial e cuidava do serviço de tuberculose da Santa Casa de Misericórdia em São Paulo, e de mãe brasileira nascida em Rio Claro (SP), neta de italianos e suíços. Com a deflagração da Primeira Guerra Mundial, seus pais e irmãs foram para a Itália para ele servir como médico no front e só retornaram ao Brasil (1933), atendendo a pedidos da família de minha mãe. Quando completou o ginásio (1940),  onde estudou química, física e matemática, decidiu optar por química. . Tornei-me um bom aluno nessas matérias e péssimo nas outras. Fez pré-vestibular (1941) com o professor Erasmo Garcia Mendes, da Universidade de São Paulo, de quem me tornaria grande amigo, e ingressou no curso de química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, onde teve o privilégio ter conviver com professores como os alemães Heinrich Rheinboldt e Heinrich Hauptmann, além de Giórgio Renato Levi, Ruy Ribeiro Franco, Abraão de Moraes, Paschoal Senise e outros. Bacharelou-se em Química (1943) e fez o doutoramento sob orientação do professor Rheinboldt, defendendo uma tese sobre isosterismo, isologia e isomorfismo (1946), que foi editada em revistas internacionais. No ano seguinte, fui convidado por Piero Manginelli a trabalhar na Fundação Andréa e Virgínia Matarazzo, instalada na Faculdade de Medicina da USP e voltada para o estudo do câncer, onde se interessou por carcinogênese química. Também interessou-se pela bioquímica e saiu da fundação convidado pelo professor Hauptmann para ser seu assistente na cátedra de química orgânica e biológica do Departamento de Química da USP (1951). Tornou-se Livre Docente do Departamento de Química da mesma Faculdade (1955). Migrou definitivamente para a bioquímica (1956) após visitar o laboratório de Frank Westheimeir, na Universidade de Harvard, como bolsista da Fundação Rockefeller. Lá desenvolveu um trabalho sobre a cinética da reação catalisada pela enzima álcool-desidrogenase. Interessou-se pela química do enxofre e compostos sulfurados, onde desenvolveu suas principais pesquisas e publicou artigos como The expansion of the sulfur outer shell (1960), publicado no Chemical Reviews, que lhee rendeu o Prêmio Hans Feigl, destinado a pesquisas em ciências básicas. Neste ano o professor Hauptmann faleceu e ele assumiu sua cátedra de química-orgânica e biológica (1961). Convidado pelo Professor Zeferino Vaz, coordenou a formação do Instituto de Química da Unicamp, onde permaneceu por 12 anos (1966-1978). Por duas vezes fui eleito chefe do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP. Por sua dedicação à ciência, recebeu o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia e também o prêmio Moinho Santista. Recebeu (1991), o título de Professor Emérito da Unicamp e morreu em São Paulo (1994). Publicou cerca de 150 trabalhos em periódicos nacionais e internacionais, e foi reconhecido mundialmente estudando a existência, em sistemas biológicos, de substâncias e moléculas químicas modificadas em suas características físicas por efeito de radiação. Considerado o criador da escola fotobioquímica brasileira, foi pioneiro nas pesquisas sobre a possibilidade de as plantas realizarem processos fotoquímicos sem a presença de luz, a chamada fotobiologia sem luz. O prêmio Giuseppe Cilento foi criado pela Inter-American Photochemical Society, a I-APS (1999) e é concedido anualmente a jovens pesquisadores da América Latina.